Resenha | Reino dos Malditos

Reino Dos Malditos

À primeira vista, Reino dos Malditos, escrita por Ian Edginton e desenhada por D’Israeli é uma história infantil comum, sem grandes novidades para apresentar. Como disse, à primeira vista…

A HQ conta a estória de Christopher Grahame, um renomado escritor de livros infantis, uma espécia de J. K. Rowling e Neil Gaiman, que é fenômeno no mundo editorial. Não demora muito para que os grandes estúdios de cinema procurem-no para adaptar suas obras. Contudo, Grahame passa a sofrer desmaios e dores de cabeças constantes, e em meio a esses desmaios, passa a sonhar com Castrovalva, o mundo que criou quando era uma criança solitária. Enquanto seu médico insiste que esses sonhos são frutos do estresse que o escritor tem vivido, Grahame por sua vez, passa a acreditar cada vez mais que esses sonhos são reais.

Ocorre que, Castrovalva já não é mais o mesmo mundo que Grahame deixou quando era uma criança doente e solitária, após seu abandono, o lugar foi tomado por um ditador e o que antes parecia saído de um cenário de uma fábula dos desenhos da Disney ou dos livros de C.S. Lewis, agora parece um misto das obras de Tim Burton e Guilhermo Del Toro. Toda Castrovalva se tornou um imenso campo de batalha, os seus poucos amigos de infância sofrem em uma guerra, da qual não têm condições reais de vitória.

A premissa por si só já denota um grande potencial, no entanto, o autor vai muito além disso, já que o principal tema abordado é o mal que reside dentro de todos nós. Essa dualidade que existe em cada um é exposta, de forma simplista, mas extremamente competente. Todos temos bondade e maldade guardados, mas escolhemos qual desejamos que venha à tona. Escolhas que fazemos cotidianamente, determinadas por conceitos morais, sociais, religiosos que nos guiam. Mas apenas nós mesmos sabemos o que guardamos em nosso íntimo.

O roteiro de Edginton é repleto de metáforas sobre o estudo da personalidade humana com elementos da psicanálise, além de inúmeras referências a literatura fantástica. A arte de D’Israeli é interessantíssima ao mesclar um traço bruto e psicodélico com muita violência, tudo isso com personagens que parecem ter saído de uma loja de ursinhos de pelúcia.

Ao terminar a leitura de Reino dos Malditos fica a sensação de que está estória não foi feita para qualquer pessoa, mas todas deveriam lê-la.

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