Resenha | Savage Dragon – Unidos

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Está de volta ao Brasil um dos mais clássicos personagens da Image, com o encadernado Savage Dragon – Unidos, lançado recentemente pela Mythos Editora. Publicado ininterruptamente nos EUA desde 1993, o fortão verde com barbatana na cabeça nunca deu muita sorte por aqui: teve apenas uma breve série mensal nos anos 1990 e alguns especiais (quase sempre crossovers com heróis da Marvel ou da DC). O diferencial de Dragon é que ele é até hoje escrito e desenhado por seu criador, Erik Larsen, sendo assim um recorde nos quadrinhos norte-americanos.

Neste especial, Dragon se junta a outros personagens da Image (Spawn, Witchblade, Shadowhawk e Invencível) para deter o Solar Man, um poderosíssimo super-herói que resolveu exterminar todos os criminosos do mundo, sem ligar para os inocentes pegos no fogo cruzado de sua jornada. A história tem bons conceitos, principalmente ao evidenciar que o vilão é uma das inúmeras versões/paródias do Superman que existem nas HQs, além de momentos bem-humorados típicos das aventuras do Dragon. Por outro lado, há alguns sérios problemas no que diz respeito à acessibilidade para os leitores.

O encadernado não traz uma minissérie, ou mesmo uma “nova fase” preparada para angariar um novo público: é simplesmente um compilado das edições 139 a 144 da série mensal do personagem. Dessa forma, alguns subplots que vinham sendo trabalhados nas histórias anteriores (que não foram publicadas no Brasil) tomam espaço. E, como a aventura principal se concluiu na metade do especial, o restante é um grande fechamento de coisas como o sumiço da esposa e do filho do herói. Fora isso, temos vários personagens dando as caras sem serem apresentados, além da verdadeira zona que é o universo Image, com seus “subuniversos” onde cada autor trabalha como quer e cria zilhões de heróis irrelevantes só pra coadjuvar. A opção da Mythos foi apostar que estampar na capa outros personagens conhecidos ajudaria a vender, mas para o leitor talvez fosse mais palatável lançar as histórias seguintes do título, em que realmente há um recomeço na vida do Dragon.

Sobre o trabalho de Larsen, é interessante frisar o seu desde sempre assumido estilo “free style” ao criar os roteiros. O autor sempre declarou improvisar saga a saga, sem grandes planejamentos, o que lhe confere maior liberdade para produzir. Claro que tal postura só é possível na Image, onde os criadores realmente mandam no que fazem (imagine isso acontecendo nas gigantes DC e Marvel). Se o fôlego criativo se mantém mesmo após quase vinte anos a frente da sua criação, nos desenhos a história infelizmente é outra. Seja por cansaço ou pelos implacáveis prazos mensais, Larsen simplificou ao máximo seu traço. Ainda que faça alguns quadros inspirados (que lembram até Frank Miller nos bons e veeeelhos tempos), no geral ele se aproxima do rústico, inclusive com a ausência do cenário de fundo.

Apesar das falhas, Savage Dragon – Unidos pode ser uma forma de conhecer o personagem e experimentar um tipo mais descompromissado (sem cair na galhofa) de super-herói. Fica a expectativa por mais material dele em terras brasileiras.

Texto de autoria de Jackson Good.