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Resenha | Stieg Larsson - Antes de Millenium

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Stieg Larsson - Antes de Millenium é uma história em quadrinho, ou Graphic Novel se você é fresco, biográfica sobre o autor sueco da famosa trilogia Millenium. Foi concebida por Guillaume Lebeau e Frédéric Rébéna, escrita pelo primeiro e desenhada pelo segundo.

Sinopse: as três fases mais marcantes da vida de Stieg Larsson são mostradas na história, a primeira se passa nas florestas suecas enquanto o jovem autor vivia com seus avós paternos, depois o vemos no meio da guerra civil da Eritréia no final dos anos 70, e por último, na Suécia no meio dos anos 90 quando a sua revista anti-fascista Expo é fundada, e um epílogo para 2004, meses antes do autor morrer.

De forma biográfica, a história parte da premissa questionável de que o autor da trilogia Millenium teve uma vida tão fascinante quanto a dos livros que criou. De fato a sua trajetória pessoal foi curiosa e turbulenta, mas partir do pressuposto de que Stieg Larsson como personagem é tão interessante quanto a enigmática Lisbeth Salander ou o marcante Mikael Blomkvist é de uma insensatez tamanha. Apesar de dignos de nota, os episódios marcantes da vida do autor não se comparam com as aventuras policiais vividas pelo casal de protagonista da trilogia de livros.

A vida de Larsson pode perfeitamente ser retratada em no máximo 4 ou 5 parágrafos no fim de cada um dos livros, mas a princípio não se justificaria a elaboração de uma HQ para retratá-los. Mesmo pensado em atingir os fãs da série, ele pode vir a acabar decepcionando quem espera o mesmo clima policial. Em suma, o material apresentado nesta obra seria muito mais interessante e rico se fosse a quadrinização de um dos livros, um prequel, ou até histórias extras dentro do seu universo expandido. Aliás, parte do título “Antes de Millenium” e a capa de uma pessoa idêntica à Lisbeth Salander soa enganador para quem acha que se trata de um prequel dos livros.

milleniumA outra capa.

A história de vida do autor mostra como aos poucos o universo da trilogia Millenium foi sendo construído: uma fotógrafa da Expo que se parece muito com Lisbeth, a própria revista fundada por Larsson, Mikael é um amigo jornalista que trabalha na mesma revista, além, é claro, dos neo-nazistas e grupos fascistas figurando na Suécia nos anos 80, 90 e anos 2000. O mais interessante da trama, no entanto, é a metáfora da raposa. No início da história, Stieg e seu avô estão caçando o animal por ter feito estragos. Ela se assemelha a um inimigo que o autor tomou como pessoal: as ideias fascistas. Inclusive a parte mais interessante se dá no que parece ser a página 09, já que as páginas não são numeradas, quando uma piada com o animal se realiza pela avó do jovem Stieg.

A arte curiosa de Frédéric Rébéna soa como um rascunho, um esboço ainda a ser arte-finalizado. Isso dá um caráter curioso para a obra, pois mostra como a vida de Stieg Larsson não foi totalmente completa, já que o autor não se casou com a sua companheira por temer ser encontrado por grupos fascistas e morreu meses antes dos livros serem publicados e de obter o merecido reconhecimento e sucesso mundial.

A edição da Veneta poderia ter numerado as páginas, além de melhorar o papel, que soa simplório. A capa com a moça que se parece com a Lisbeth, apesar de interessante, soa de fato enganador para quem procura algo dentro do universo dos livros. Nesse sentido, outra capa com o desenho de Stieg Larsson seria mais honesta. A editora também colocou informações curiosas sobre Larsson nos extras, que poderiam inclusive ter entrado no material original, mas, obviamente isso recai sobre os autores da HQ. Apesar de enriquecer a obra, ao mesmo tempo reforça o que eu disse ali em cima: a vida de Stieg Larsson foi interessante, mas não a ponto de realizar uma história em quadrinho de mais de 60 páginas.

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Texto de autoria de Pablo Grilo.

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