Resenha | Superman – Crônicas Volume 1

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O Volume 1 do Encadernado Superman Crônicas compreende as primeiras histórias do Azulão, pelos idos de 1938 até 1939. A compilação inclui os números de 1 a 13 de “Action Comics”, a revista “Superman #1” além de também publicar as tirinhas de  “New York World’s Fair #1”.

Jerry Siegel escreve os roteiros, enquanto a arte é de Joe Shuster. Os dois amigos de infância criaram a figura do Super-Homem como uma alegoria ao mito judaico de Moisés, que sobreviveu em condições de morte certa, e voltou “dos mortos” para defender um povo marginalizado. A aparência física de Clark Kent seria inspirada na compleição do próprio Joe Shuster – um sujeito tímido e desajeitado, enquanto o herói é o auge da força humana, o homem perfeito física e moralmente.

Este Superman está irônico, e gosta de forçar os vilões a enfrentar dilemas morais. Já Kent é um pacato e covarde repórter do Estrela Diário, o total oposto de sua contraparte poderosa. O herói é mais cru que sua versão moderna, intervencionista e até um pouco machista – essas atitudes seriam a base dos argumentos de Fredrick Wertham em “Sedução do Inocente” onde ele acusa a criação de Siegel e Shuster de ser uma figura fascista, aliado é claro ao fato do personagem fazer a justiça com suas próprias mãos, matando seus inimigos algumas vezes.

Na primeira página de Action Comics #1 é apresentada a origem do Super, assim como seus poderes: super força, super velocidade e a capacidade de saltar alturas imensas. O herói é definido como Campeão dos Oprimidos, a Maravilha Física que jurou dedicar sua existência a ajudar os necessitados.  Além disso é feito um paralelo comparando seus poderes a características de animais.

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Apesar do teor das histórias ser inocente, e conter personagens maniqueístas e pueris, o conteúdo das primeiras histórias é contestador e de um cunho quase socialista. A prioridade do Superman é defender a classe proletária e demais grupos excluídos da sociedade. Mostra a delinquência juvenil e suas raízes em comunidades pobres com escassas condições de vida. Ainda assim há uma moralidade excessiva em seu teor se comparado às histórias atuais, mas tal abordagem era comum aos seus contemporâneos.

Outros personagens também estão diferentes. Alguns dos personagens canônicos não foram sequer apresentados, e os que foram estão bem diferentes. Jonathan e Marta Kent já estão falecidos, e Lois Lane é a responsável no jornal pelas “Matérias Sentimentais”, além é claro de ter um desprezo enorme por Clark Kent.

O roteiro aborda muitas questões interessantes. Mostra como a imprensa tenta transformar o herói num reles fora da lei. Revela também que causas como combate a paralisia infantil passam pela pauta do herói, aborda temas ligados ao jornalismo, como liberdade de imprensa, confidencialidade de fontes jornalísticas, e passa também por questões adultas como suicídio, fraude fiscal etc. O clima das histórias é urbano e os opositores são políticos corruptos, espancadores, mafiosos, traficantes de armas… Indivíduos marginais que causam mal ao bem estar social.

Além das histórias citadas, o encadernado contém outros tópicos: Origem do Superman, onde é interessante notar algumas diferenças entre as versões recontadas de seu passado. Ao ser encontrado pelos Kent, o bebê é posto num orfanato. Ainda pequeno, o infante já possuía poderes, e só depois de um tempo é que o casal resolve voltar ao orfanato para adotá-lo. Antes mesmo de começar suas ações como herói, Clark perde seus pais adotivos. Os outros extras são Prelúdio para “Superman Campeão dos Oprimidos”, Uma explicação cientifica para a força do homem de aço, A historia do Superman em prosa, Ilustração Superman e Biografias dos seus criadores.

Superman – Crônicas Volume 1 vale a pena de ser conferido para analisar as evoluções pelas quais passou o primeiro super-herói, além é claro de retratar bem como eram os quadrinhos nos anos 30.