Resenha | X-Factor – Dentes-de-Sabre Livre Para Matar!

Lançado pela Editora Abril entre 1983 a 1999, a revista Grandes Heróis Marvel foi uma publicação trimestral sem um mix fixo. Conforme se desejava explorar sagas específicas ou trazer um novo material além dos títulos mais conhecidos, bem como adiantar a cronologia de alguma publicação atrasada, a editora utilizava essa revista para o lançamento. Embora tenha lançado boas sagas como Vingadores: A Busca Pelo Visão ou Arma X, não havia nenhum critério aparente para que uma história figurasse da revista.

A edição nº 64 se dedica ao grupo X-Factor, na época, vivendo sua segunda formação quando respondia diretamente ao governo. Publicada sempre em X-Men ou Wolverine, a editora concentrou quatro números da revista utilizando o vilão Dentes-de-Sabre como um chamariz para atrair o público. Na trama, o X-Factor acaba de se tornar clandestino e simular sua própria queda. Em um momento não revelado pela revista, Dentes-de-Sabre foi recrutado pela equipe, subjugado a obedecer devido a um colar inibidor de poderes. Até que, como informado na capa, o grupo perde o controle do vilão.

Observando a edição com distanciamento de quase 20 anos, é evidente que o X-Factor da Marvel situava-se de maneira semelhante ao Esquadrão Suicida da DC Comics. Parte da trama discute brevemente a representatividade dos humanos, mas o enfoque é a ação e a ideia de um grupo marginal realizando missões difíceis.

Como a edição compila quatro números do original e faz parte de uma trama maior, é necessário pressupor alguns acontecimentos. Nas duas primeiras edições focadas na fuga de Dentes-de-Sabre há maior divertimento devido ao cool da personagem, composta pela violência quase descerebrada. Os dois números que encerram e edição focam na busca pelo personagem em tramas paralelas: trazendo à tona uma nova a Irmandade dos Mutantes, comandada por Destrutor, antigo líder da X-Factor; e acompanhando Mística tentando se vingar do ataque do vilão.

Os traços de Jeff Matsuda são um dos exemplos que definem a época do lançamento da edição. Época em que a HQ não havia sido invadida por traços mais realistas. Em alguns quadros, as personagens chegam a beirar a caricatura, principalmente pelo uso exagerado de músculos. Assim como o padrão dos traços foi modificado, a narrativa também cresceu. Se hoje os próprios personagens narram a maioria das tramas, aqui ela segue de maneira mais tradicional, com um narrador externo.

Há alguns momentos em que algumas cenas são desenvolvidas com extrema rapidez. Porém, considerando a época e a edição em formatinho, beira a dúvida se a trama foi composta dessa maneira ou enxugada pela Abril. Mesmo que a história seja apenas um breve divertimento, é um interessante exercício a leitura de edições antigas sem nenhum destaque ou grande saga. Aos leitores de quadrinhos, qualquer edição traz certo divertimento e, além disso, é uma demonstração prática de como a narrativa se modifica com o tempo, bem como revela a época de sua composição.

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