Review | Os Cavaleiros do Zodíaco – A Saga de Poseidon

cdz-poseidon-capaMenor das fases do anime, totalmente baseada na penúltima saga do mangá, a descida ao reino dos mares, onde se combateria o deus olímpico dos mares Poseidon, possui apenas parcos quinze episódios – dois a menos que a anterior filler, Asgard. As primeiras cenas mostram tempestades e redemoinhos marinhos, assolando o Japão, a costa da França, Estados Unidos e outras regiões europeias, causando um pânico mundial, segundo as falas de Jabu de Unicórnio e Tatsumi.

Logo Saori acorda, nos aposentos de Julian Solo, um jovem belo, rico e precoce, que assumiu os negócios de sua família em comércio marinho. Julian foi pretendente de Kido, que prontamente o recusou. Triste, Solo percebeu como é a sensação de ser rejeitado. Para surpresa de todos, o jovem era também a reencarnação do deus dos mares e, ainda assim, queria desposar Atena. Após mais uma recusa, dessa vez para governar o mundo como um casal de deuses, o déspota ameaça destruir a vida no planeta, a não ser que a deusa da sabedoria entregue sua vida em sacrifício. A reencarnação da deusa ficaria mais uma vez à mercê da sorte, sendo ela o pilar que salvaria a Terra e mataria Saori.

Seiya e os outros adentram um portal em forma de redemoinho em Asgard, logo, o protagonista e Shun de Andromeda chegam ao reino dos mares, e tem um pequeno embate contra Thetis de Sereia, uma mulher fatal que com sua escama (equivalente as armaduras do Santuário) quase enreda Pégaso e Andrômeda. Após desvencilhar-se dela, O General Marina Dragão Marinho debocha da força dos saints de bronze, dizendo que melhor seria se o cavaleiros de ouro lhe enfrentassem.

Cada parte dos sete mares tem o seu próprio pilar, e seu general respectivo. O primeiro a ser adentrado é o do Oceano Pacífico Norte, com Seiya indo em sua direção. O objetivo é derrubar cada um deles, para então parar o plano maligno do inimigo de matar Saori, mas antes que o cavaleiro possa destruir o artefato, Bian de Cavalo Marinho se interpões ante sua missão. Em uma virada de roteiro surpreendente, Seiya faz lembrar da luta com Misty de Lagarto, e percebe técnicas muito parecidas. Apesar de toda arrogância, Bian não demora a cair, graças a força da armadura de Pégaso que torna-se dourada após elevar seu cosmo ao máximo. Motivo disto seria o sangue dos cavaleiros de ouro, que convenientemente não fez qualquer peso na saga filler de Asgard.

Antes de atentar contra o pilar, Seiya vê a chegada de Hyoga e Shiryu, e pede para que eles ajam separadamente, como foi feito na Batalha das Doze Casas. Logo, o cavaleiro percebe ser inútil golpear os pilares, até que Shina traz a armadura de Libra, para que cada arma desta possa destruir as partes. O Escudo é usado para enfim derribar aquele território, enquanto Thetis e Shina travam mais uma batalha.

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Paralelo aos acontecimentos anteriores, Shun chega ao pilar do Pacífico Sul, para então enfrentar o terrível Io de Scylla. Depois de um show off de ataques, revelando praticamente todos os seus golpes –  ligados sempre a bestas animais. Cilla foi um monstro marinho, que acima de si guardava a imagem de uma bela virgem, semelhante a lenda de Andrômeda, e que guarda abaixo de si as técnicas de Águia, Lobo, Abelha, Serpente, Morcego e Urso. Ciente de sua superioridade,  Shun ainda oferece ao inimigo a chance de se render, mas a teimosia e empáfia do general fala mais forte, como era comum no seriado. Shun também tem sua armadura da cor do ouro, resistente como a dos doze sagrados guerreiros, e esse é o fator que define a vitória sobre Io. Shun utiliza os Nunchakus para derrubar o pilar. Desesperado, Scylla se põe na frente da arma, mas não têm êxito em tentar impedir a queda do totem.

Em mais uma amostra da ideia ecumênica de Kurumada, o próxima general é Krishna de Chrysaor, regente do Pilar do Oceano Índico, um sujeito moicano que referencia uma religião oriental em seu nome. Shiryu o desafia, Krishna, pondo a prova o escudo do dragão, pela poderosa Lança do Dourado (ou Relâmpago).  Caído, o Dragão sente-se indefeso, e ele novamente vê em sonho o juramento e pedido de Shura, para que protegesse Atena. O fato desta ser uma reprise, graças ao filler do mesmo flashback ainda em Asgar, um pouco da surpresa se perde ao ser anunciado a novidade tática do guerreiro. O embate segue emocionante, talvez a melhor luta da saga até então, especialmente pela honra mútua entre os oponentes. Após ter sua armadura retirada – novamente – Shiryu consegue enfim fazer valer o golpe da Excalibur e destrói a lança dourada de seu adversário, assim como as escamas. Ambos, sem proteção alguma, travam uma batalha ideológica, que põe a frente a crença no budismo e na mitologia grega. Krishna cega Shiryu, repetindo ainda mais características do ideário de Shaka de Virgem, para enfim terminar o embate. Sem visão, Shiryu toma a Espada de Libra e pede para Kiki o guiar, quebrando assim o pilar.

O próximo adversário é Kasa de Lymnades, do (Oceano Antártico) que logo derrota o descansado Hyoga, depois Seiya, até enfrentar Shun que consegue resistir por um período longo, até ser socorrido por Ikki e provar de seu próprio veneno. Lymnades até tenta enganar Ikki também, mas sucumbe diante da própria presunção, de achar que enganaria o cavaleiro imitando o próprio irmão, que está ferido aos seus pés, o máximo que o rival conseguiu foi expor que Fênix ainda mantinha sentimentos por Esmeralda, a moça que viveu na Ilha da Rainha da Morte. O Tridente da Armadura de Libra é usado para quebrar o pilar Antártico, não antes de parar o sangramento de seus antigos amigos, para que ainda haja algum risco de sobreviverem, dependendo de seus cosmos.

Após ser humilhado, o Cisne se levanta e agradece a Ikki por não ter encarado ele derrotado, prometendo que não se deixaria levar novamente por seus sentimentos ao enfrentar inimigos. O engano não demora a ser demonstrado em tela, uma vez que no pilar do Oceano Ártico, Hyoga encontra Isaak, de Kraken, seu ex-companheiro de treinamento. Isaak sempre foi o mais forte dos dois, que um dia, sumiu após salvar Hyoga de ser levado por uma forte correnteza, quando o aspirante a cavaleiro tentava ir visitar sua mãe pela primeira vez. Ferido no olho esquerdo, Isaak é cooptado pela escama de Kraken, para  que ele fosse um general marina, e combatesse o homem que combateu na Guerra Galáctica e que matou Cristal e Camus. A batalha ocorre entre troca de farpas e golpes. Antes de morrer, Isaak diz que outra criatura é a o real inimigo, e não Julian, deixando o Cisne atônito, para depois ter quebrado o pilar através do Tonfá de Libra.

Ikki finalmente chega ao salão do deus encarnado, unicamente para ser barrado pelo Dragão Marinho, que revela sua identidade, dando ainda mais significado ao drama visto na Batalha das Doze Casas, finalmente justificando as brutas repetições de roteiro vistos no anime. Os fatores mais irritantes em toda a extensão de Cavaleiros do Zodíaco são vistas na saga de Poseidon também, que piora muito por possuir lutas pouco interessantes e adversários que deveriam ser igualáveis a deuses, mas que caem por muito pouco esforço dos cavaleiros.

Shun finalmente chega ao pilar do Oceano Atlântico Sul, onde encontra Sorento de Sirene, que se desvencilhou facilmente de Siegried na fase anterior, de Asgard. Seu toque de flauta faz Andrômeda quase cair, até que Atena começa a cantar, para o retirar doo terrível mantra. Paralelamente, Seiya, Hyoga e Shiryu adentram a sala de Julian Solo. Ao mesmo tempo, Ikki retorna da outra dimensão, para enfrentar Kanon, de Dragão marinho, o irmão gêmeo de Saga. O combate triplo finalmente deixa os eventos interessantes, especialmente ao retornar a origem dos irmãos gêmeos, onde Kanon sugere ao seu irmão assassinar o Mestre, fazendo de seu destino o da morte, preso pelo poderoso cavaleiro de Gêmeos a uma cela ao lado do mar, só podendo ser libertado por um deus. Kanon profetizou que Saga também possuía uma índole maligna, remetendo a filosofia de Yin-Yang. Kanon seria liberto, para ver as escamas dos Generais Marinas, convocando os poderosos homens, para dominar o mundo – novamente – e trair Poseidon, depois de já ter traído Atena.

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No Santuário, há um clamor por ajudar os cavaleiros de bronze, mas algo segura os saints de ouro, somente permitiram a ida da armadura de Sagitário para ajudar Seiya e os outros. Uma nova gama de sacrifícios ocorre, com Shina, Seiya e Shiryu, que usam o próprio corpo para receber as flechar refletidas de Solo. A chegada de Shun  – que derrubou o pilar com a barra tripla – e Hyoga, o deus encarnado percebe uma união jamais vista por seus olhos imortais, ainda que não ceda a arrogância, percebendo tardiamente de que a arma de Sagitário estava lotada com o cosmo dos quatro guerreiros.

Ikki só derruba o pilar do Atlântico Norte após o auxílio de Sorento, que percebeu a traição do gêmeo mal. Com o Escudo de Libra, Fênix derruba o artefato, para logo depois indagar o marina de como poderia deter a encarnação pura de Poseidon, alcançada após a flechada que Seiya impingiu. Logo, as armaduras douradas de Libra e Aquário reúnem-se ao redor de Shiryu e Hyoga, a fim de ao menor atordoar o deus dos mares.

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As verdades continuam se desenrolando, com Ikki afirmando que sua sobrevivência só ocorreu graças ao caloroso cosmo de Atena, que o poupou da morte. Fênix descobre enfim que a chave para a sobrevivência de Saori, está encerrada no Grande Suporte Principal, junto a deusa. Todas as condições de clímax se acumulam no episódio final, que finalmente apresenta a vitória de um mortal sobre um ser divino, dessa vez do mais literal possível.

A podridão e corrupção do planeta seria a motivação maior de Poseidon, que diferente do piedoso cosmo de Atena, se agarra na esperança de uma mudança no caráter ideológico da humanidade. A retidão como bandeira, se mostra uma arma eficiente, fortalecendo a filha de Zeus diante de seu adversário, para encerrar o espirito do deus olímpico novamente na ânfora.

Os motivos que fizeram Kurumada não realizar junto a Toei a última das sagas do Mangá aplacaram boa parte do sensacionalismo do final do seriado, encerrando o show de tv em 1989, somente retornando a Hades com o aporte dos fãs, treze anos depois. Apesar do remate ter sido interessante, as lutas foram pouco cativante, faltou carisma aos marinas, exceção feita talvez a Isaak e Kanon, tampouco houve um grafismo satisfatório nas batalhas, repetindo os mesmo erros de Asgard, sendo inferior até ao texto original do mangá.

Confira também:

Primeira Parte do Review da Saga do Santuário, correspondente a Guerra Galáctica
Segunda Parte, correspondente a Saga dos Cavaleiros de Prata.
A Terceira Parte, corresponde a Batalha das Doze Casas.
E a Saga de Asgard.