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[Crítica] Mais Um Verão Americano

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Mais Um Verão Americano - posterParódia de filmes de acampamento, comuns nos Estados Unidos, Mais Um Verão Americano se tornou um pequeno grande clássico de comédia narrando situações ridículas e zombando de questões pesadas da rotina. O acampamento Firewood é o cenário onde adultos já próximos da meia idade vivem como se fossem juvenis, gastando o tempo no último dia de verão, prestes a se despedirem daqueles que foram seus companheiros de desventuras e descobertas durante toda a estação.

A direção de David Wain garante uma estranha harmonia entre as muitas figuras que ficariam famosas no elenco. A brincadeira do roteiro de Wain e Michael Sholwater brinca com estereótipos e figuras estranhas, apresentando um grupo de pessoas, com cada ação sendo mostrada do modo mais pitoresco possível, variando entre o estilo nonsense de contar histórias e o modo estadunidense de realizar comédias de humor escrachado, que se valem de corpos envelhecidos em shorts minúsculos para referenciar os anos oitenta.

Diversos avatares típicos da adolescência são aventados, bem como o comportamento dos adultos que os vigiam. A rebeldia sem causa é mostrada através da personagem de Andy (Paul Rudd), um inconsequente rapaz que não controla seus hormônios e age de modo atrapalhado, ironizando os exacerbados meninos que fingem não se importar com nada. Liderados por Beth (Janeane Garofalo), diretora do acampamento, os meninos e meninas descem a cidade de Waterville por breves momentos, e usufruem de uma rotina bandida, naquele curto período, o que obviamente contradiz toda a inocência que predomina na rotina deles enquanto residentes do camping.

Os personagens são carismáticos, seus backgrounds são muito mais sugeridos que trabalhados, até porque cada mini drama mostrado já foi reprisado inúmeras vezes em tantos outros filmes teen. É como se o repertório do fanático por este subgênero fizesse o trabalho de aprofundamento, incluindo sentido mesmo nas mais estúpidas gags cômicas e discussões de gênero.

As picardias comuns aos jovens internados são tratados de modo bastante debochado, fazendo troça de cada momento comum não só aos filmes de acampamento, bem como às comédias românticas nas quais os adolescentes descobrem seus sentimentos e dão vazão a sua sexualidade, ironizando principalmente as cenas adocicadas.  A graça feita no quadrado amoroso formado por Copp (Michael Sholwater), Katie (Marguerite Moreau), Andy e Lindsay (Elizabeth Banks), em comparação com a celebração de Ben (Bradley Cooper) e Mckinley (Michael Ian Black), demonstra que, apesar de apresentar conceitos banais, há uma inteligência contestadora no argumento, o que faz todo o culto em volta do filme fazer ainda mais sentido, já que seu charme é pautado na exploração dos estereótipos sexuais, desde os comuns até os bizarros, como observado no paranoico Gene (Christopher Meloi), em que se observa que a aceitação é o argumento maior.

A efemeridade do fim do verão é evocada nos últimos momentos de filme, em uma corrida para resolver todos os problemas do mundo antes do término do show de talentos, mesmo que nada ganhe mais significado se a epopeia for realizada antes ou depois do evento. A pressa representa um aspecto comum ao modo que os juvenis vivem, dando grandes importâncias para aspectos fúteis ou agindo de modo completamente inverso, unicamente movidos pelo ocaso, entregando a importância devida a cada aspecto e vicissitude inerentes à vivência humana através de personagens carismáticos e comuns.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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