Cinema

Crítica | O Shaolin do Sertão

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Halder Gomes volta a direção em 2016 cheio de expectativa com O Shaolin do Sertão após o sucesso do surpreendente e bom Cine Holliúdy de 2012.

Durante os anos 80 em Quixadá, interior do Ceará, um fã dos filmes chineses de artes marciais vai atrás de treinamento após desafiar um lutador de vale tudo que está fazendo um tour em várias cidades pelo sertão.

O roteiro de Halder Gomes baseia o seu enredo na estrutura simples dos filmes que ele pretende referenciar: o cinema chinês de luta marcial dos anos 60 e 70. O nome do protagonista não é por acaso, Aluísio Li é referência direta para o maior astro do gênero: Bruce Lee e seus filmes tão reverenciados pelo mundo todo.

O grande diferencial do roteiro é manter a regionalidade do sertão cearense sabendo utilizar a paisagem e os personagens típicos, mantendo a caricatura para os fins da comédia. Outro trunfo é fazer com que a história se torne universal atingindo os temas comuns. ALuisio Li no fundo deseja duas coisas que todo mundo quer em alguma parte da vida: conquistar a garota que ele gosta ao mesmo tempo em que ganha independência da mãe.

Um ponto interessante são os flashbacks da história que auxiliam a narrativa, ao invés de serem usadas como muletas. Elas inclusive vem acompanhadas de efeitos visuais que as deixam ainda melhores.

A atuação é o ponto mais forte do filme. Edmilson Filho que interpreta Aluísio é de novo o grande nome do elenco, ofuscando quase todos que contracenam com ele. Igor Jansen como Piolho e Frank Menezes como Rossivaldo também se saem bem. Destaque ainda para Falcão como o treinador Chinês e Fafy Siqueira como a mãe Dona Zefa.

A direção de Halder Gomes continua satisfatória e condiz perfeitamente com todos os clichês e convenções da comédia. O seu diferencial é manter a sua assinatura que é falar o cearês de Cine Holliudy agora de forma mais universal.

A fotografia de Carina Sanginitto usa bem o vermelho e o amarelo que ressalta o clima árido e seco do sertão, e também provém o exagero que a comédia do filme se pretende. A edição de Helgi Thor é cadenciada e se destaca nas cenas de ação e no treinamento. No restante, é invisível e terminou por deixar o filme em um bom tempo.

O Shaolin do Sertão deve agradar um vasto público que buscava uma história original em uma mistura nada convencional entre os filmes de arte marcial chineses com a nova comédia cearense.

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Texto de autoria de Pablo Grilo.

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