Cinema

[Crítica] Quarteto Fantástico (1994)

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Ás vésperas de quase perder os direitos de transmissão cinematográfica, o estúdio New Horizons teria que fazer as pressas um filme o mais barato possível sobre o primeiro grupo de super-heróis dos quadrinhos estadunidenses. Recaiu sobre Roger Corman produzir a fita que seria conhecida por suas condições paupérrimas, cujo orçamento baixo garantiu algumas saídas interessante para o roteiro já bastante combalido.

O responsável pela direção é Oley Sassone, cuja experiência anterior foi em filmes pouco conhecidos, como Vingança Extrema (com Don The Dragon Wilson) e A Grande Fuga (com Cynthia Rothrock), o que demonstra que o autor tinha intimidade e experiência ao trabalhar com sub-celebridades. Seu elenco não continha estrela alguma, e começava pondo frente a frente dois amigos, estudantes universitários que tinha livre acesso a uma laboratório equipado com material de alto custo, sem qualquer justificativa plausível para tal, além da audácia dos jovens. Os personagens atendiam pelos nomes de Reed Richards (Alex Hyde-White), um bravo e inteligente aspirante a doutor, que mesmo com toda sua perícia intelectual, não impediu seu amigo, Victor Von Doom (Joseph Culp) de ser queimado vivo, por raios vagabundos de chroma key.

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Reed aprendeu sua lição, ganhando cabelos grisalhos com a experiência que teve. Não satisfeito em queimar seu melhor amigo, o “cientista” decide viajar ao espaço, munido de seu fiel escudeiro, Ben Grimm (Michael Bailey Smith), um robusto rapaz que resolve incluir na perigosa missão os gêmeos nada idênticos Joe (Jay Underwood) e Sue Storm (Rebecca Staab). A interação da loira com Reed é automaticamente romântica, sem nenhuma preparação prévia para o romance. Está formado o grupo de elite, intitulada pela loura mulher como Quarteto Fantástico.

Com o foguete prestes a ser lançado, algo parece capaz de fazer tudo dar errado. Uma figura obscura observa tudo, e manda um tosco personagem rastejante atrás dos heróis. O nome do vilão é Doutor Destino, e seu plano é tornar a viagem espacial repleta de isopor, papelão e papel machê dar errado. Os tripulantes tem um encontro cósmico com uma anomalia, que consegue referenciar vergonhosamente o clássico kubrickiano 2001, com luz fluorescentes invadindo seus corpos, anunciando a explosão e consequente morte dos nada carismáticos personagens, acompanhado pelos olhos de um tirano que assistia tudo de seu palácio de tingido por cores gritantes e fogo artificial, feito de papel celofane.

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Miraculosamente os quatro viajantes sobrevivem, e chegam a Terra, sem maiores complicações de saúde, aparentemente. Johnny, ao brincar com seus amigos espirra, fazendo um arbusto entrar em combustão, Sue desaparece em pleno ar, enquanto Reed estica o próprio braço, em busca de salvar a amada de um tombo feio. Os jovens ficam aterrorizados, piorando muito quando descobrem a transformação física de Benjamin em uma criatura monstruosa de borracha, uma verdadeira Coisa.

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Ben é posto em testes laboratoriais, invertendo o paradigma antes imposto por Reed de ser o analista de espécimes estanhos, deixando-o magoado por ver seu amigo como uma reles cobaia. O revés vem logo em seguido, com os irmãos e o gênio invadindo as instalações militares atrás de seu amigo feito de massa de modelar.

Logo, o real vilão aparece, unicamente para pôr os heróis em ação, com ações físicas do Coisa, rajadas de fogo em animação stop motion do futuro Tocha-Humana e com um conceito completamente errado do que seria a invisibilidade da Mulher Invisível, confundida com intangibilidade e teletransporte.

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O grupo percebe que pode usar seu defeito para fazer bem e trabalhar em prol da justiça, subvertendo o discurso anárquico visto no debochado vídeo Feira da Fruta, tornando o discurso heroico clássico em algo atual novamente, em plena era das trevas dos quadrinhos. Para piorar a situação, Reed descobre que quem anda arquitetando contra si e seus companheiros é seu antigo amigo dado como morto.

Curioso é que, onze anos após o tosco filme de Corman, a Fox usaria a mesma motivação estúpida para o vilão tirânico, reprisando a vergonha de descaracterizar completamente o ditador da Latvéria, repetindo até a aliança profana entre Doom e o Coisa, desde a ameaça de ambas as forças unidas, até o retorno do monstro a forma humana, fazendo perguntar se o filme de Tim Story não seria uma refilmagem oficial do clássico noventista.

Doom faz um discurso evocando a culpa no coração do Senhor Fantástico, por ter a dez anos causado o infortúnio de deformá-lo externamente, o que garantiu a sua moral uma íngreme descida, tão baixa que o tornou um lunático capaz de usar um cobertor verde desfiado como vestimenta, além de uma máscara de plástico que o faz ser incapaz de ser de ser entendido sem legendas. Claro que o estratagema dá errado, uma vez que o vilão ardiloso não calculou que o seu elástico adversário seria capaz de alcançar facilmente a máquina do mal, com seu pé que estava solto.

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Após uma longa conversa, a beira de um precipício, o vilão clama o amigo a se entregar junto a ele em uma aventura de luxúrias maléficas, claro recusado pelo herói, que o deixa cair para a morte, mesmo com seus poderes de elasticidade. O “melhor” fica para o final, com uma sequência de Tocha-Humana, toda realizada em animação, detendo o raio da morte de Doom e salvando a cidade.

Os parcos noventa minutos de fita ainda permitiram uma cena epilogar, mostrando o casamento de Reed Richards e Sue Storm, firmando o compromisso da fita com a tosqueira, ao exibir através do teto solar da limousine, um braço esticado, fruto da junção de duas vassouras, coladas provavelmente com esparadrapos ou qualquer substância colante barata. Não à toa a Marvel tentou banir o filme, que mesmo com todo o caráter debochado, consegue apresentar uma divertida faceta do mundo dos super-heróis, infelizmente com trinta anos de defasagem e com efeitos especiais condizentes com os dos anos 1960.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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