Cinema

[Crítica] Toro

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O pontapé inicial de Toro, novo produto de Edu Felistoque, começa a partir das experiências de Insubordinados, longa anterior do diretor e início da Trilogia da Vida Real. A história de Carlão (Rodrigo Brassoloto) tem a ver com o livro que Janete Guerra (Sílvia Lourenço) escrevia no primeiro filme, funcionando como uma espécie de spin off mesclada com continuação nesta nova produção.

O background de Carlão – apelidado de Toro – e de seu antigo companheiro Hector (Sérgio Cavalcante) são os aspectos menos interessantes em Insubordinados. Ambos são policiais na trama anterior e neste volume a história se passa em um futuro breve, em que o sujeito é obrigado a largar o posto de detetive graças a um afastamento, passando então a trabalhar como taxista. Seu passado não o abandona, já que entre lembranças de seu antigo ofício e pesadelos, o sujeito se depara com uma onda de morte de outros motoristas de táxi, em uma trama que faz lembrar as de serial killers americanos.

Toro usa seu tempo livre para aprimorar seus dotes como lutador amador, se enfiando em brigas sem fim, basicamente para extravasar a raiva que sente, usando isso como placebo para a falta que o trabalho como policial o faz. A perda da emoção cotidiana que ele teve o fez  tornar-se algo que ele não queria ser, uma espécie de fera domada.

A diferença principal entre Insubordinados e Toro é a fotografia que tem cores nesse e não tinha no anterior. O advento do colorido faz o longa parecer mais clean do que a sujeira anteriormente citada na vida do personagem título. Talvez a intenção do cineasta e do roteirista Júlio Meloni seja a de denunciar o quão vazia ficou a rotina de Carlão sem a adrenalina que o acompanhava enquanto trabalhava como agente da lei. A partir daí, até o seu estranho envolvimento amoroso com a jornalista Alice (Naruna Costa) passa a ser justificado, uma vez que com ela, as emoções parecem ser mais fortes e viscerais.

Carlos tem uma história pregressa com o tal assassino, chamado por todos de Rato (Ronaldo Lampi), fator que torna ainda mais cara toda a trama de caça e caçador ocorrida entre um e outro, envolvendo também os outros profissionais taxistas. Apesar de conter um final parcialmente em aberto, o filme consegue trazer uma história concisa, com mistérios e uma urbanidade que flerta com o ideal que Rubem Fonseca pensava em seus contos e novela, ainda que a aura de realidade seja muito menos suja e menos caucada na realidade. Ainda assim, Toro é um filme de gênero interessante e reflexivo, mas que precisa de seus pares Insubordinados e Hector para fazer mais sentido.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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