Oscar 2017 | Conheça os indicados a Melhor Curta de Animação

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É quase hora do Oscar 2017, e como se não bastasse a sempre batida entrega de melhor longa de animação para as produções Pixar/Disney ao lado temos outra categoria completamente ignorada durante a premiação que são os curtas de animação. Como não lembrar de vencedores do passado dessa categoria como Bear Story do ano passado em que o Diretor Gabriel Osorio Vargas se inspirou em seu avô exilado no chile para criar a história, ou até alguns curtas de temática mais light como Feast e Paperman da Disney, ou curtas como Mr Hublot e The Lost Thing de 2011 e até mesmo o recente comentado Father and Daughter do inicio dos anos 2000 dirigido por Michael Dudoki De Wit de A Tartaruga Vermelha.

Em sua grande maioria diferente dos indicados a longa metragem essas produções geralmente se encontram disponíveis gratuitamente para serem vistas antes mesmo da premiação. Esse ano sem dúvida a quantidade de indicados é absurdamente variada e com tempos de tela muito diferentes um do outro, vamos comentar os indicados desse ano individualmente.

Blind Vaysha

Do Bulgaro Theodore Ushev, esse diretor já trabalha no ramo de arte e design há mais de 20 anos. Trabalhando com a National Film Board do Canada desde 2003, seu mais recente trabalho Blind Vaysha é seu primeiro indicado ao Oscar.

Baseado na história de George Gospodinov, Blind Vaysha narra a história da personagem título, uma jovem menina nascida com uma curiosa maldição em que um olho vê apenas o passado e enquanto o outro apenas o futuro. Parte conto de fadas tradicional e parte maravilha da animação moderna, Blind Vaysha também é uma grande crítica a nunca viver o próprio presente. E como a maioria dos contos tradicionais ele não tem exatamente um final feliz.

Certamente a parte mais chamativa dessa animação seja seu estilo visual, inspirado em desenhos medievais mas que nos liga aqui no brasil diretamente a algo muito semelhante as pinturas feitas por Lasar Segall e gravuras em madeira da literatura de cordel. O curta animado em tablet realmente utilizou um processo de estilização semelhante a gravura de corte em madeira para conseguir reproduzir suas linhas, usando linóleo ao invés de madeira. Ushev inclusive não chegou a utilizar o Ctrl + Z em momento algum para corrigir algum erro em seu trabalho, tornando qualquer deslize uma marca definitiva no processo. No final temos um trabalho de 12 á 13 mil desenhos feitos durante seis meses.

Premiações:

  • Chicago International Film Festival – Melhor curta de animação

Pearl

Dirigido por Patrick Osborne (Paperman, Feast, Operação Big Hero 6). Osborne nos traz uma sólida animação de um profissional que já trabalhou em 3 longas de alto retorno na própria Pixar/Disney. Mas apesar de tudo isso, esse é o primeiro curta com elementos de realidade virtual a conseguir uma indicação na história do Oscar. A função “viewer experience” veio de uma colaboração do Google Spotlight Stories, um projeto que te permite ver uma história em 360 graus.

A narração de Pearl é praticamente feita através de sua música e um gravador antigo encontrado por uma jovem mulher. Toda a ação toma lugar ao redor de um carro com um pai e sua jovem filha em um tipo de Road Movie.

Esse vibrante e esperançoso conto consegue nos trazer uma profunda sensação em pouco tempo dos sentimentos que os dois personagens estão vivendo. Pearl incorpora a lição de vida de Blind Vaysha e ainda consegue trazer um fator mais humano para a história, trazendo um tipo de ambivalência muito interessante ao final do curta.

Premiações:

  • Accolade Competition – Menção honrosa em animação
  • ITSA Film Festival – Prêmio do Festival
  • Traverse City Film Festival – Melhor Narrativa em Curta

Pear Cider and Cigarettes

Praticamente cinco vezes mais longo que os outros indicados Pear Cider and Cigarettes é de longe o curta mais maduro entre os indicados. Se a academia estiver cansada de animações bonitas é hora de dar alguma chance ao diretor e roteirista Robert Valley. Se trata de uma adaptação do texto Hunter S. Thompson animada com a mesma sensação de Medo e Delírio em Las Vegas, e ainda baseado numa história real.

Narrado pelo próprio Robert, o curta narra a história de seu amigo, Techno Stypes, uma pessoa problemática que estava destinada a morrer jovem. O espectador segue as viagens de Rob até a China tentando encontrar Techno e faze-lo parar de beber e voltar para Vancouver para se tratar. uma tarefa nada fácil de se fazer.

O Curta é baseado num amigo real do diretor de 25 anos. Ele é conhecido na indústria pelo seus trabalho em animações como Aeon Flux e TRON: Uprising, e alguns clipes animados dos “Gorillaz”.

A animação se baseia visualmente em sua Graphic Novel que foi toda feita no photoshop. O diretor tentou reaver a estética da mesma na animação de maneira que parecesse fluida e dinâmica. Ele além disso fez uma campanha no Kickstarter que o ajudou a conseguir os direitos de uso de músicas muito populares de bandas como “Pink Floyd”, “Black Sabbath”, “The Dandy Warhols”, “Wilco” e “Leftfield” .

Premiações:

Melhor especial de animação – Annie Awards

Borrowed Time

Borrowed Time é sombrio, tem uma temática Western e mesmo que não ganhe é um enorme presente poder simplesmente assistir. Dirigido por Andrew Coats e Lou Hamou-Lhadj, dois veteranos da Pixar que após anos e anos trabalhando em projetos vencedores de premiações conseguiram carta branca da própria para trabalharem em projetos pessoas usando os recursos do estúdio. 

O curta é visualmente rico, realista e detalhado. Não possui diálogos e usa de música como mo motor base. Assim como outros indicados, ele também brinca com o conceito e a noção que o tempo faz esse aspecto essencial também está presente no Blind Vaysha. Apesar de tudo, o emocional é o fator mais importante aqui, e é surpreendente como ele discorre a narrativa.

Ele narra a história de um homem da lei no velho oeste ‘que está seguindo diferentes caminhos através do tempo; a primeira como um jovem homem viajando com sua arma ao lado de seu Pai, e outra que ele é um velho xerife lidando com as dificuldades de seu passado.

Premiações:

  • Melhor apresentado – SIGGRAPH
  • Melhor Curta animado – St. Louis International Film Festival, Brooklyn Film Festival
  • Melhor fotografia – Fastnet Short Film Festival
  • Primeiro lugar em animação – USA Film Festival
  • Melhor Curta animado – Woods Hole Film Festival (Audience Award, Jury Prize), Nashville Film Festival

Piper

Facilmente uma das mais bonitas animações concorrendo, e sem dúvida a mais foto-realista e com humor. Em Piper, o roteirista e diretor Alan Barillaro conta a história de um jovem borrelho que tem que aprender a se alimentar sozinho.

O diretor tem quase 20 anos de experiência dentro da Pixar, o que justifica a maestria e habilidade dentro dessa produção. E como qualquer outro curta da Pixar ele possuí uma abordagem única, as vezes muito bem elaborada de tratar temas to cotidiano e te fazer rir ao mesmo tempo.

Premiações:

Melhor Curta animado – Annie Awards