Crítica | Cowboys & Aliens

Cowboys e Aliens 1

2011 é o ano dos extra-terrestres. Pelo menos no cinema esta afirmação certamente é valida.

Depois de Transformers 3, Eu Sou o Número 4, Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles, Super 8, Lanterna Verde e Apollo 18, chegou a vez dos homenzinhos verdes voltarem às telas, e desta vez para enfrentar o tipo de ser-humano mais durão da história de nosso planeta. Caras que mascam fumo, bebem uísque sem gelo, montam cavalos, fazem a barba muito porcamente e adoram uma boa briga que geralmente resulta em morte. Este duelo épico é a premissa de Cowboys & Aliens, adaptação dirigida por da HQ homônima publicada pela Platinum Comics.

Não vou, neste artigo, abordar os méritos da adaptação. Não lí os quadrinhos e o pouco que conheço da história sugere uma nota, no quesito adaptação, um pouquinho abaixo de 3. Dito isto, prossigamos:

Estrelado por Daniel Craig (007: Quantum of Solace, Lara Croft: Tomb Raider) e Olivia Wilde (Tron: O Legado, House), o filme conta a história de Jake Lonergan, líder de um bando de pistoleiros fora-da-lei, que acorda no meio do deserto com um estranho aparato metálico preso ao pulso e completamente sem memória. Enquanto tenta relembrar os acontecimentos que o levaram até lá, o cowboy envolve-se com os habitantes de um pequeno vilarejo local exatamente no momento em que seres desconhecidos em objetos voadores destrõem o lugar e sequestram vários de seus habitantes. Para salvar os habitantes sequestrados e evitar que os seres alienígenas destruam os humanos, Lonergan deve se aliar a um nada amistoso Coronel do exército que busca recuperar o filho sequestrado e uma atraente mulher misteriosa que parece conhecer os seres que o sequestraram. E reunida, essa turminha vai se meter em grandes aventuras e blá, blá, blá…

O filme é uma merda e daqui pra baixo eu vou contar tudo para que vocês não precisem vê-lo! Se você não viu e quer discordar da minha crítica, veja e depois deixe a sua opinião aqui na área de ofensas do blog. Espero que possa se dizer a palavra merda aqui (caso não possa, vocês nunca  lerão este post)…

Não sou um grande fã do gênero Western. É muito fácil um filme ambientado do velho oeste cair numa galhofa intragável e ficar cansativo ou lento. Este novo gênero que vem aparecendo (vou chamá-lo de Sci-Western) é extremamente interessante, mas quando se juntam dois gêneros tão difíceis de serem trabalhados (e caso não tenha ficado claro, estou falando do Sci-Fi e do Western) a chance de acontecer alguma catástrofe de proporções gigantescas é ainda maior. Nesta, em especial, posso enumerar 2 falhas principais:

O protagonista de um filme tem que ser um personagem com o qual você se relacione. Você pode gostar ou odiar, mas tem que se relacionar de alguma forma com ele e, para isso, ele tem que ter algum traço de humanidade (ou ser declaramente uma máquina, como o fodástico T-800). Daniel Craig, na minha opinião, não serve como protagonista de nenhum filme pelo simples fato de não ser humano. O Jake Lonergan deste filme é tão expressivo e tem tanto carisma quanto uma pedra. Como diria um editor aqui do Vortex, o personagem de Craig é “qualquer coisa”, e você não se dá ao trabalho nem de gostar e nem de odiar ele.

O elenco de apoio é fraco e todos os personagens do filme são rasos e mal aproveitados, culpa dos brilhantes roteiristas que querem apresentar e construir trezentos personagens em um filme de uma hora e quarenta. Vou pular todos os outros duzentos e noventa e sete personagens e ir direto para os dois piores: Ella Swenson e Woodrow Dolarhyde.

Uma é o interesse romântico de Craig e a alienígena mais merda que eu já ví em toda a minha vida. Até o ET do Spielberg, por mais baixinho, feio e com cara de velho acabado que era, podia fazer a bicicleta do menino voar. A personagem de Olivia Wilde não tem importância nenhuma para a trama, a não ser a de explicar o que os malditos ETs vieram fazer na Terra. Informação esta que poderia ter sido arrancada de um dos alienígenas por meio de muita persuasão “porradeirística”, o que aumentaria em alguns décimos a nota do filme, certamente. Pelo menos ela aparece nua em uma das cenas do filme… O outro personagem secundário que merece seu destaque como uma das piores coisas que eu já ví no cinema foi, lamentavelmente, o personagem vivído pelo Sr. Harrison Ford. O Coronel Dolarhyde é o personagem mais mal construído da história do cinema, eu arrisco.  Pare para pensar comigo: Um velho Coronel do exército americano, em 1873, que em menos de 2 dias passa a perdoar bandidos que lhe roubaram e atropela um preconceito que mantinha por décadas? em 1873?! 1873?! Tá bom Cláudia…

Cowboys & Aliens pode não ter sido a pior adaptação de quadrinho(apesar de eu quase poder afirmar isso, mesmo não tendo lido a HQ) mas certamente foi um dos piores roteiros que eu já ví. Sem pé nem cabeça, falhado, lento quando devia ser rápido e corrido quando devia ser bem argumentado… Estas são apenas algumas das características de que me lembro agora, de cabeça.

Segundo o roteiro, esta raça superior de seres alienígenas teria vindo para a terra em busca de ouro. Isso mesmo, você não leu errado, ouro! Seres evoluidíssimos que viajam no espaço sideral para ir a um planeta distante precisam de ouro para sobreviver. Detentores de uma avançada tecnologia que liquefaz o metal, os seres alienígenas se instalam em um local onde o ouro é abundante e começam sua extração. Devido ao tédio extremo que sentiam em sua nave-garimpo, resolvem sair e sequestrar nativos para fazer experiências científicas com eles, apenas para passar o tempo. Chegam em uma pequena vila próxima e saem atirando para todos os lados e sequestrando meia dúzia de espécimes para seus experimentos e poupando os demais da morte por motivo desconhecido. Isso tudo sem se preocupar com um dos primeiros sequestrados que fugiu da nave-garimpo levando consigo uma arma lazer que é a única do universo capaz de disparar projeteis efetivos contra a couraça metálica de suas naves e armaduras além de ser, também, uma bomba capaz de destruir toda a nave-mãe.

Então o rapaz que roubou a arma, fugiu e foi perdoado pelos alienígenas encontra uma outra alienígena(de uma espécie diferente dos garimpeiros sodomizadores) que veio SOZINHA para a Terra, seguindo os ETs comedores de ouro, para destruí-los. Acho que vale relembrar o que eu já citei brevemente acima e que eu considero ter alguma importancia nesse resumão que estou fazendo do filme: A ET boazinha não possue nenhuma habilidade especial e nenhum armamento alienígena avançado para combater os ETs malvados, talvez por que ela espere encontrar no planeta Terra algum armamento nativo para destruir os ETs garimpeiros(desconsiderando o fato de que, se existisse uma coisa dessas no planeta, os terráqueos nem necessitariam da ajuda dela…).

Depois de encontrarem a nave-garimpo camuflada, os 3 personagens centrais recebem ajuda do bando de Lonergan e de uns índios que não haviam aparecido antes no filme para tentar derrotar os aliens malvados em um combate aberto. Segundo a ET gostosa, os garimpeiros do espaço se consideram tão superiores aos humanos que não se dão ao trabalho e bolar uma tática e resolvem cair na porrada com os nativos da Terra. Depois de uma pancadaria genérica, onde os ETs malvados resolvem batalhar a pé, mesmo tendo máquinas voadoras que são óbviamente muito mais eficazes na batalha, Lonergan consegue entrar na nave junto com a gostosa que, óbviamente se sacrifica no processo de destruir a nave-garimpo usando a arma dos próprios ETs malvados que, convenientemente não é apenas uma arma mas, também, uma bomba muito poderosa. Eles resgatam todo mundo e conseguem fugir antes da destruição da nave e todos vivem felizes para sempre, fim!

A história do filme não é ruim, apesar de o roteiro ser terrível. Estão presente na história pontos muito interessantes que, infelizmente, não foram abordados com a devida atenção. Na história temos três classes bem definidas que são obrigadas a cooperarem por um bem maior (os habitantes do vilarejo, os bandidos e os índios). O filme falaria muito bem sobre o preconceito que existe entre o homem branco e o índio americano, se tivesse um roteiro melhor elaborado. Mostraria a inversão de papéis quando o homem branco, explorador e opressor da raça indigena, se transformasse em explorado e oprimido pela raça alienígena. Esta mensagem seria muito melhor apresentada no filme se o roteiro não fosse tão confuso e não quisesse apresentar tantos personagens.

No decorrer do filme é visível a preocupação dos roteiristas em contar a história do cowboy fora-da-lei, do coronel durão, do garotinho órfão, do médico humanista, do bravo dono de bar, do índio submetido ao homem branco, do filho mau-amado que precisa chamar atençãode alguma forma e de tantos outros personagens que foram levados juntos até o final da trama. Infelizmente esqueceram de contar para os roteiristas que não existe roteiro interessante sem construção de personagem e que não se constrõem tantos personagens com uma cena de cada um. Se tivessem se preocupado em contar a história de dois ou três personagens, o filme talvez fizesse mais sucesso. Um personagem bem construído carrega um filme com muito mais propriedade do que dez personagens rasos.

Quando ví o nome, imaginei imediatamente uma maior interação entre os cowboys e os aliens. Mais pancadaria entre eles, mais bang-bang, mais bravura e mais cowboys. Quando ví os nomes de Harrison Ford e Olivia Wilde no elenco, imaginei personagens muito mais marcantes e atuações muito mais expressivas. Relevei até mesmo o nome de Daniel Craig escrito com uma fonte maior do que a dos outros no cartaz e, apesar de ser um dos atores que mais odeio em Hollywood, resolvi dar-lhe uma segunda chance. As respostas à minhas expectativas, entretanto, foram totalmente aquém daquilo que esperava e me deparei com interpretações que beiram o ridículo de todos os atores. Esperava algo a mais.

A história recente do cinema mostra que o monstro da expectativa destrói grande parte dos filmes que assistimos, e a regra comprovou-se mais uma vez. Cowboys & Aliens, apesar de partir de uma ótima premissa e inaugurar o gênero Sci-Western, se mostrou um filme fraco, mal construído e mal interpretado. Uma decepção para quem esperava, como citei no início do texto, ver seres alienígenas batendo de frente com o tipo de ser-humano mais badass da história.

Texto de autoria de Nicholas Aoshi.