Crítica | Baseado em Fatos Reais

A parceria de Olivier Assayas (roteiro) e Roman Polanski (direção e roteiro) era muito esperada por admiradores de suas filmografias. Baseado em Fatos Reais, baseado no livro de Delphine de Vigan, é um thriller carregado de subtextos, se estabelecendo através da história de uma escritora que acaba de lançar um livro biográfico e que passa por um bloqueio criativo.

Emanuelle Seigner que já havia brilhado com o cineasta em A Pele de Vênus, dá vida a Delphine. Sua rotina é penosa, basicamente em busca de novas histórias ou novos métodos. Enquanto há uma longa explanação sobre a sua forma de escrita e seus ritos para dar voz as suas histórias, encontra-se em meio à tardes de autógrafos e  cafés franceses a bela Elle (Eva Green), uma mulher inteligente, bonita e interessante que se aproxima dela como admiradora de seu trabalho. Logo, percebe-se que a mulher misteriosa também tem pretensões literárias, e costuma escrever como escritora fantasma de pessoas mais famosas.

Delphine é atormentada não só pelo drama da página vazia, mas também por cartas anônimas a respeito de seu último trabalho ao público. Metódica, ela se apega a essa perseguição para se resguardar de retomar a escrita, variando normalmente entre as desculpas para não por no papel suas ideias e os incômodos de sentir sua vida invadida. Enquanto isso, há um aproximar de Elle que começa lentamente e se torna muito intenso rapidamente, causando no espectador e na protagonista uma sensação de incômodo e desconfiança.

A problemática maior é que se dá pouca importância dramática para toda a situação vivida por Delphine/Elle. Mesma levando em consideração a teoria de que uma personagem é a manifestação de uma outra faceta da personalidade de sua escritora, não se desenvolve conflitos no filme. O que se vê é uma emulação de alguns elementos do romance Misery de Stephen King, que por sua vez deu origem ao filme Louca Obsessão com Kathy Bates, mas o que se vê aqui é um produto menos inspirado e mal engendrado até no suspense a que se propõe.

A tentativa de quebrar a quarta parede também soa pobre. A história contando como se constrói uma narrativa não se fundamenta graças aos personagens que não tem qualquer carisma ou conteúdo que não seja o que já é presente nas personas de Green e Segner. Qualquer importância dada as situações que as duas mulheres sofrem só ocorrem graças a predileção já estabelecida do público com as carreiras das intérpretes, o que é obviamente lastimável, ainda mais em se tratando de uma obra de Polanski.

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