Crítica | Homo Sapiens 1900

O filme de Peter Cohen começa analisando fotos antigas, em preto e branco, filosofando sobre como o homem se enxerga, na sociedade, na natureza e nos seus cenários. Depois de uma música instrumental um bocado manipuladora, Homo Sapiens 1900 brinca com o mito de Frankenstein, e até alude a outras obras da cultura cinematográfica para ilustrar seus pontos, analisando fatos históricos de uma maneira fácil de compreender e até didática.

O documentário foi lançado em 1998 , e sua construção se baseia em arquivos de fotos e filmes, que tentam traçar um panorama das mudanças sociais e ideológicas europeias entre os séculos XIX e XX, utilizando a eugenia e limpeza racial como ponto de partida, basicamente para  desconstruir a ideia de que isto foi um bom preceito, e de que havia nas ideologias nazi-fascista algum ponto de nobreza e de busca da vida humana como soberana e evoluída socialmente, fato que nem deveria estar em discussão uma vez que o pensamento extremista analisado aponta para a exclusão e não inclusão do diferente, mas que é preciso ressaltar evidentemente, uma vez que se avança atualmente para a piora desses quadros de exclusão.

Aos poucos, o filme elucubra sobre a nudez, em contraponto ao pensamento que reinou no III Reich, que alem de retrogrado e conservador, considerava alguns corpos como impuros, basicamente por suas origens hebraicas. Toda essa filosofia exposta é fundamentada em palavras de filósofos e pensadores alemães, que enxergavam o mundo de maneira bem diversa ao pensamento recriminador do Partido Nacional Socialista de Adolf Hitler. O diretor sueco faz uma ode as diferenças no início do seu filme, para só depois começar a explorar o lado mais mesquinho do ser humano, a exemplo do que fez em Arquitetura da Destruição.

O estudo continua, e uma das obras famosas analisadas pela cineasta é o filme soviético A Salamandra, uma ficção de 1928, que fala a respeito de engenharia genética, e elucubra levemente sobre Mendelismo e Lamarquismo, falando um pouco sobre essas vertentes teóricas e de princípios genéticos e/ou biológicos, mas sem ser um tratado sobre as mesmas, até por conta da curta duração que o filme tem.

Tem em seu legado combater a ideia de que a manipulação genética pavimentaria a estrada para o futuro da humanidade, e seja em uma mentalidade mais generalizada ou especifica, serve bem ao propósito de desconstruir a ideia do purismo, sem apelar para truísmos baratos e argumentos de fácil refutação. Há uma preocupação genuína de Cohen em soar legítimo, em fundamentar as idéias biologicamente, além de fazer paralelos com objetos culturais palatáveis, que podem até não ser tão populares, mas não são inacessíveis, e esse tipo de estudo é de suma importância, pois gera pensamento crítico, desmistifica inteligentemente os sofismas totalitárias da época do III Reich, que infelizmente tem se tornado presente.

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