Crítica | Memory – As Origens de Alien: O Oitavo Passageiro

O documentário conduzido por Alexandre O. Phillipe começa no templo de Apollo, na Grécia em 1979, entre momentos de contemplação vendo insetos e outros predadores da natureza terráquea e um momento encenado, mostrando os monstros mitológicos gregos, as fúrias, que seriam inspirações para o roteiros Dan O’Bannon e para o restante da produção de Alien: O Oitavo Passageiro.

Alien estreou em uma época em que alienígenas bonzinhos brilhavam, como os de Guerra nas Estrelas e Contatos Imediatos em Terceiro Grau, e boa parte do estudo que Memory – As Origens de Alien O Oitavo Passageiro passam por isso, por mostrar como a tradição de se retratar extra-terrestres como antagonistas voltaria a moda, e como seria pavimentado o caminho para Enigma de Outro Mundo, Sinais e Independence Day. Memory foi o nome do primeiro rascunho que O’Bannon fez para o filme, tinha apenas 30 páginas, e naquele planeta onde os astronautas pousariam haveria um “saque” a memória deles, deixando-os desmemoriados, como se sofressem de amnésia. O processo para que virasse esse um filme de monstro é mostrado aos poucos, e tem muito a ver com os trabalhos de John Carpenter e Alejandro Jodorowsky.

Tempos atrás, uma versão da quadrilogia Alien foi lançada em Blu-Ray, com uma edição de luxo, incluindo featurettes diversos e o documentário Beast Within: The Making of ‘Alien’, que inclusive, é a fonte para boa parte das entrevistas com pessoas que já faleceram a altura do obra de Phillipe. No entanto, Memory acerta por não ser literalmente um making off, e sim um filme que reflete a respeito de questões filosóficas chave, como a evolução da idéia de monstros, que até os anos cinqüenta e sessenta, se restringiam a animais agigantados tocados pelo horror atômico. O medo agora viria do espaço,de algo externo, uma vez que as guerras deixaram o publico inerte e imunes a medos mundanos.

Além de Memory, o rascunho do roteiro já foi chamado de They Bite, e Star Beast, e o estudo não explora só as influências de O’Bannon, como os quadrinhos pulp ou a ficção cientifica/fantástica de H.P.Lovecraft, mas também desenvolve bem os laços afetivos e agressivos com Carpenter, em Dark Star (que foi um proto-Alien só que voltado pro humor) aqui com muitos dissabores, e toda a frustração pelo fato de Duna de Jorowsky não ter dado certo, ao menos desse, muitos frutos vieram, para além até do fato dele conhecer H.G. Giger, mas também serviu para que ele tomasse coragem para revisitar seus textos antigos, já que pouco lhe restou.

O longa é quase  uma biografia documentada de Dan, explicita que Roger Corman se ofereceu para financiar “Star Beast”, mas só se O’Bannon não conseguisse uma boa verba para faze-lo, pois achava o script bom, mas claramente não era um filme B, também se detalha que Walter Hill quase deixou a oportunidade passar, de dar luz ao filme, uma vez que as primeiras páginas causavam enfado, só ficava realmente interessante um tempo a frente.

O ponto alto do filme é quando descrevem a criatura nascendo do peito de John Hurt, fato que fez Veronica Cartwright escorregar, com o susto e com a quantidade de sangue falso espalhado pelo chão após as tentativas frustradas. Esse trecho é um bom resumo de todo o esforço de Memory, que não é perfeito, tampouco muito original, mas é tão íntimo como o recente Friedkin Uncut, sendo que dessa vez, o principal alvo de investigação não estava mais vivo, fato que não permitiu que o filme fosse desinteressante.

Facebook – Página e Grupo | TwitterInstagram | Spotify.