[Crítica] Michelle e Obama

Barack Obama sequer saiu do maior cargo político elegível dos Estados Unidos da America e já recebeu duas cinebiografias. Uma delas, lançada direto nos cinemas é Michelle e Obama (Southside With You) é a primeira direção de longa-metragem do ator de tv Richard Tanne. O filme se dedica a mostrar o início do romance entre os personagens, mostrando Michelle Robinson (Tika Sumpter) aceitando finalmente uma das investidas de Barack (Parker Saywers), para finalmente saírem juntos após um dia de trabalho em uma firma de advocacia de Chicago.

Obama ainda é um estagiário, e apesar de Michelle se arrumar bastante para encontrar o seu futuro par, o discurso da moça é de timidez e recusa, uma vez que ela o classifica como mais um irmão de fala mansa. O trabalho da direção de arte é bastante esmerado no sentido de remontar o visual do fim dos anos oitenta. Cada carro, casa e parte do cenário fazem com que a viagem no tempo faça ainda mais sentido, unido à música de Stephen James Taylor, que fazem o filme lembrar em absoluto um registro cinematográfico já clássico, Loucuras de Verão – ou American Grafitti – de George Lucas.

O carro em que Barack leva sua pretendente é surrado, tem um buraco no assoalho e é repleto de uma ferrugem corrosiva. Para si, aquilo é tão natural que ele sequer cobriu, a fim de tentar impressionar o seu alvo romântico. Os dias do futuro presidente são cheios de discursos inflamados e falas inspiradoras em praticamente todos os lugares por onde ele passa, desde a sua vizinhança até a igreja.

O ponto de ruptura é quando a dupla vai assistir no cinema Faça a Coisa Certa, de Spike Lee. Após o choque com mensagem que o filme propõe, e conversando com Avery Goodman (Tom McElroy), seu patrão que não entende um dos atos do filme e que classifica como irracional a cena em que a vidraça de um homem branco é quebrada, finalmente Barack chega a uma conclusão diferente. Naquele momento, ele perceberia que o método não conflituoso de agir não o faria galgar muitos degraus, e essa epifania acontece após uma atitude mais veemente da mulher que o acompanha, sendo ela o catalisador da mudança de postura.

Michelle e Obama é um filme que se vale da ternura e de uma temática de conciliação, combinando bastante com todos os discursos que o atual presidente dos EUA costuma realizar diante de seu eleitorado, se estabelecendo como uma referência conciliatória, mas que é comedida em prestar suas homenagens.