Crítica | Olympia – Parte 2: Vencedores Olímpicos

O inicio de Olympia – Parte 2: Vencedores Olímpicos mostra a natureza, para logo depois exibir humanos invadindo esse habitat, em corridas típicas do treinamento. Isso faz lembrar o obvio, que sua diretora, Leni Riefenstahl, dedicava sua carreira à época de 1938 ao Regime Nazista de Adolf Hitler, tal qual visto em Olympia Parte 1:Ídolos no Estádio e O Triunfo da Vontade.

Estranhamente, as cenas iniciais tem um tom de epílogo, com os jovens rapazes bonitos nadando nus, somente homens, quase como em uma fantasia homo erótica, fato que contrastava com o conservadorismo da época e claro com a questão de segregação típica do III Reich. É engraçado e sugestivo que o objeto de louvor de um filme que faz parte da máquina de propaganda do Partido Nacional Socialista seja tão fálico e dê tanta vazão a um homo erotismo inconsciente.

Outro fato de substancial importância é o começo um pouco cômico e mais íntimo deste em relação ao primeiro filme. Ao registrar a intimidade dos campeões olímpicos dos jogos de Berlim em 1936, é permitido mostrar o lazer dos atletas que são o ápice da humanidade de fato – e não necessariamente arianos, aliás, esse é um dos poucos momentos em que esportistas negros aparecem e não são acompanhados por vaias, afinal, não há publico – e isso gera momentos realmente engraçados e diversos.

Nesse episódio há mais destaque para duas modalidades que quase não apareceram na primeira parte, que são as de regatas, com os barcos correndo o mar, e esgrima. Há também um bom destaque para o boxe olímpico e esportes de corrida. O ritmo deste é melhor construído que Olympia 1, é mais curto – pouco menos de 90 minutos contra quase duas horas do outro – e há menos menções a Hitler e sua trupe.

Riefenstahl não só foi pioneira em técnicas de filmagem e edição, mas também ajudou a inaugurar a ideia central de como deveria ser um documentário esportivo e uma transmissão de competições, com a câmera presente nos campos ou nas arquibancadas, além de ter um dinamismo no modo de contar que era ímpar.

Prossegue engraçado o fato de não haver qualquer citação a União Soviética, uma vez que boicotaram aqueles jogos olímpicos, além é claro da vitoria no futebol da seleção italiana, que já havia ganho a Copa de 1934 e ganharia a de 38, com grande apoio de Benito Mussolini, fato é que esse filme é um bocado menos propagandista que os outros da cineasta. Após esse, ela ficaria um bom tempo sem lançar filmes, somente em 1954 com Terra Baixa, e se tornaria persona non grata no pós Guerra. Quanto ao filme, Olympia Parte 2 é uma ode ao corpo humano, vangloriando todas as imperfeições, feitos e contradições dos mesmos, se tornando complicado por conta de associar a perfeição dos atletas ao ideal da raça que Hitler e seus seguidores pregavam

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