Cinema

[Crítica] Os Bravos Morrem Lutando

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Produzido e dirigido por ator principal, Os Bravos Morrem Lutando é um drama de guerra baseado na possível resistência dos Estados Unidos as condições adversas e ao poderio de seus inimigos, os japoneses, como em inúmeros filmes de guerra passados, incluindo alguns estrelados por Frank Sinatra. A trama segue o veterano chefe do departamento farmacêutico (Sinatra), que junto a um grupo militar, adentra uma ilha do Pacífico, dominada por orientais.

Alguns aspectos curiosos ocorrem na produção que é a única cuja direção é assinada pelo cantor/ator. A diferença primordial é que a história é contada a partir das falas de um personagem opositor, o tenente Kuroki (Tatsuya Mihashi), que tem como contraponto, o capitão Dennis Bourke (Clint Walker), um homem bravo que serve de ponta de lança do regimento americano. Sequer o protagonismo entre os seus recai sobre Sinatra, que já aparenta uma idade avançada, fazendo dele um sujeito pouco afeito a ação, daí fazendo sentido sua postura como médico do batalhão.

Apesar de não concentrar em si o protagonismo, o diretor trata de usar o texto de John Twist e Katsuya Susaki que é baseado na história de Kikumaru Okuda a seu favor, pondo seu personagem para ser a ponte de paz entre os dois grupos conflituosos, ao se dedicar ao tratamento de um japonês ferido. A cena mais tensa dos primeiros oitenta minutos é executada pelo realizador, mas segue a generosidade dele enquanto celebridade ao permitir que outros atores possam desenvolver seus talentos sem se preocupar em ofuscar uma estrela de sua grandeza, característica aliás proveniente de seu comportamento nos palcos.

É evidente que a direção do filme não é muito inspirada, até pelo background do cineasta ser o de encenar e não comandar, mas notam-se influências temáticas claras em objetos da filmografia estadunidense recente, incluindo muitos sucessos. A pecha de contar a história por vozes japonesas foi vista em Cartas e Iwo Jima, de Clint Eastwood, e o viés de bravura acima dos limites, como em tantos dramas de guerra, desde Platoon até Resgate do Soldado Ryan, igualmente superiores ao seu embrião.

A mesma luta contra o maniqueísmo, que seria vista no personagem Joe Leland, de Crime sem Perdão anos depois, seria preconizada neste Os Bravos Morrem Lutando, uma vez que a única chance de sobrevivência dos homens é a união entre as dois núcleos inimigos, que buscam subsistir mesmo com a ação catastrófica da natureza.

O desfecho, incluindo um infeliz combate entre aliados e membros do eixo, mostra um caráter anti-bélico, até surpreendente depois de dezenas de filmes pautados nos esforços dos EUA na Segunda Guerra Mundial, protagonizado ou interpretados por Sinatra. A mensagem final se bifurca, entre as letras que ganham a tela, afirmando que na guerra não há vencedor, e o agradecimento a bravura de membros do exército, onde se nota que a escolha de viés, por parte dos produtores do filme é o de criticar, ainda que veladamente os mandantes das forças armadas, e não os homens do pelotão.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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