Cinema

[Crítica] Rei Arthur: A Lenda da Espada

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Ícones e mitos britânicos são sempre revisitados no cinema moderno. A expectativa quando ocorrem essas repaginações são de que as histórias serão bem exploradas, em especial quando é escolhido para conduzir o projeto algum expoente promissor da cinematografia inglesa. Guy Ritchie parecia ideal na escolha para este Rei Arthur: A Lenda da Espada, uma vez que realizou Sherlock Holmes (em duas oportunidades) e  O Agente da U.N.C.L.E.. De certa forma é uma surpresa que esta versão seja o fracasso que é.

A escolha de Charlie Hunnam para o papel principal parecia acertada e de fato esta é uma das poucas características boas do filme. Quase todo o restante do casting é equivocado, em especial, Jude Law, que faz Vortigern, o caricato tio do personagem-título e consequentemente antagonista, personagem esse que se torna ainda mais digno de chacota graças a péssima semelhança que guarda com o personagem Scar, de O Rei Leão.

Se em Revólver e Rocknrolla, Ritchie já dava mostras de desgaste em sua fórmula de contar histórias de marginais. Em Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras, ele claramente parece ter esgotado as alternativas para sua versão do detetive de Baker Street. Para montar o ideal das lendas de Camelot, Ritchie se vale de uma caricatura do povo bretão que vive à margem da sociedade e utiliza os maneirismos e clichês já estabelecidos em sua filmografia, principalmente na série protagonizada por Robert Downey Junior - artifício esse usado sem qualquer pudor ou lamento.

Apesar de um esforço monstruoso para imprimir uma identidade visual própria, o filme soa extremamente genérico, isso quando não apresenta cenas cuja fotografia se mostram confusas e nebulosas, deixando o espectador sem ter a exata certeza de como ocorrem as batalhas fantásticas planejadas pelo diretor. As comparações mais justas igualam esse esforço ao visto em bombas como Dungeons and Dragons: A Aventura Começa Agora, de Courtney SolomonRobin Hood, de Ridley Scott; e o mais recente, Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos, de Duncan Jones. Mesmo a proximidade deste com o contestável Tróia, de Wolfgang Petersen, soa ofensivo para este último, uma vez que ele é melhor resolvido do que o mais novo longa lançado por Guy Ritchie, especialmente no que diz respeito à construção de uma figura lendária/mitológica, com ares realistas.

O uso excessivo de slow motion soa incômodo, e coloca o diretor no patamar de outros cineastas menos gabaritados como Zack Snyder e Paul W.S. Anderson, com a diferença básica de que esses dois costumam usar a ferramenta de maneira mais funcional e com propósito, ainda que questionável, ao contrário de Ritchie que o faz de modo gratuito. Fora o personagem principal e algumas poucas participações menores - como as de Eric Bana, morto bem no início - a construção ética e moral dos personagens é rasa, não sobrando nem motivação boa ou carisma por parte dos futuros cavaleiros da Távola Redonda. Não há como se importar com nenhum deles, e a falta de substância aliada a cena de ação final faz com que este Rei Arthur pareça mais uma adaptação mambembe de filme baseado em games do que qualquer outra coisa.

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Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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