[Crítica] Rookie – Um Profissional do Perigo

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No início da década de 90, o cinema parecia estar empesteado de “buddy cop movies”, aqueles filmes policiais que mostravam uma parceria improvável entre dois tiras totalmente opostos (ou um tira e um malandro) que terminava por se tornar uma grande e fraterna amizade. Rookie – Um Profissional do Perigo deveria ter sido rodado em 1988 e estrelado por Gene Hackman e Matthew Modine, mas o projeto foi enterrado devido a uma greve do sindicato de atores. Em 1990, o projeto foi ressuscitado e Clint Eastwood topou dirigir em troca do financiamento de O Destemido Senhor da Guerra. Ainda que seja um filme menor e irregular de Clint, Rookie ainda é uma boa diversão.

Na trama, Eastwood interpreta o veterano. detetive Nick Pulovski. Juntamente com seu parceiro Powell, ele investiga uma quadrilha que rouba e contrabandeia carros de luxo liderada por um criminoso alemão (não é piada, o criminoso é alemão!) vivido por Raúl Juliá. Após um encontro com a quadrilha que culmina em um perseguição automobilística, Powell acaba morto e Pulovski é tirado do caso. Logo depois, o novato David Ackerman, vivido por Charlie Sheen, é designado como seu novo parceiro, e o veterano Nick resolve se aproveitar da situação para continuar investigando a quadrilha, mas sem explicar exatamente ao seu novo colega sobre toda a situação.

O trabalho de Eastwood na direção não é dos mais brilhantes, porém é competente. O roteiro, idealizado por Boaz Yakin e Scott Spiegel, é interessante e o eterno Dirty Harry orquestra muito bem algumas cenas de ação, principalmente a grande perseguição na rodovia. Com um ótimo uso de efeitos práticos e dublês, Clint consegue imprimir grande realidade à cena. Entretanto, a escolha dele por um casal latino (Raúl Juliá e Sonia Braga) para interpretar criminosos alemães é um tanto quanto inexplicável e acaba por imprimir um aspecto meio trash à fita. A polêmica cena de estupro em que a personagem de Sonia força Clint a manter relações sexuais com ela, apesar de controversa e de até hoje dividir opiniões, foi filmada de uma maneira que não a deixou de mau gosto ou gratuita.

A interpretação de Clint para o policial Nick Pulovski nada mais é que um eficiente feijão com arroz. O ator/diretor cria um tipo durão e obstinado, bem semelhante a outros papéis de sua extensa filmografia. Já Charlie Sheen cria um tipo bem interessante. Seu David Ackerman começa o filme como um cara mimado e meio abobalhado, além de atormentado por um trauma do passado. Entretanto, o personagem vai evoluindo, se tornando durão e se aproximando muito da persona do personagem de Eastwood. É muito legal observar a relação paterna que vai se desenvolvendo entre os dois policiais, relação essa que extrapolou as telas de cinema, uma vez que Sheen vivia problemas com drogas e bebidas e Clint se tornou uma figura paterna para Charlie, o orientando e disciplinando durante as gravações e no seu dia-a-dia. Apesar da sua escolha equivocada, Raúl Juliá defende com muita dignidade o seu papel e Sonia Braga faz uma femme fatale muito sensual em ótimas cenas de ação.

Ainda que não seja um dos filmes memoráveis de Clint Eastwood, Rookie é uma ótima diversão que demonstra que um grande diretor consegue bons resultados mesmo quando não está em seus melhores momentos.