[Crítica] Sexo, Drogas e Jingle Bells

the-night-beforeApontando para a enorme tradição norte americana de produzir filmes comemorativos próximos aos dias de festas, Sexo, Drogas e Jingle Bells (com uma tradução muito melhor que o nome original The Night Before) de Jonathan Levine começa com uma história bastante melancólica, como havia sido seu 50%, reprisando inclusive seus protagonistas, para logo depois estabelecer uma narrativa que se inicia como de um conto de natal, contando a história de três amigos, que giram em torno de Ethan Miller (Joseph Gordon-Levitt), um sujeito que tem uma vida triste e enlutada,  e que torna as comemorações sempre regadas ao uso de álcool e entorpecentes.

O problema é que Ethan é o único dos amigos que estagnou, já que Isaac Greenberg (Seth Rogen) e Chris Roberts (Anthony Mackie) seguiram suas vidas, um se tornando pai e outro se dando muito bem na vida profissional. O natal em questão seria o último deles juntos, e aconteceria graças ao convite VIP encontrado pelo protagonista, o mesmo com o que ele sonhou a vida inteira em conseguir. Há um clima em torno do filme semelhante as comédias que fizeram sucesso nos últimos anos, em especial Segurando as Pontas, Se Beber Não Case e É o Fim, por ser organizado por amigos que trabalham juntos em um filme de estúdio, mas que empregam nele um humor rasgado e repleto de referências a cultura pop. Ao menos esse era o espírito.

O trabalho anterior de Levine não foi tão exitoso, já que Meu Namorado é um Zumbi teve uma má recepção pela audiência cativa deste tipo de adaptação, por não ser exatamente um comedia e nem um exploitation puro da onda genérica Crepúsculo. A ausência de identidade pôs em cheque o trabalho do diretor e o desejo por refutar essa pecha deve ter sido um dos motivos para aceitar fazer esse novo produto.

O humor degradante vai crescendo no decorrer do longa. Os vinte primeiros minutos são bem comedidos, mas quanto mais passa a noite, maior é o abuso de drogas pesadas, antes até da tal festa que seria o Santo Graal das comemorações. Dentro do escopo de comedia, a melhor das reações é a de Isaac, que passa a ficar imbecil graças aos efeitos do pó e da maconha forte que usa, se tornando suscetível a alucinações e a investidas de outro homem, que lhe envia nudes bastante agressivos.

Até os momentos comuns a comédias românticas, onde o mocinho propõe compromisso a mocinha são realizados de um modo escrachado. As participações de Miley Cirus e James Franco são pontuais, especialmente deste último, que mais uma vez faz troça com a sua orientação sexual. Mesmo a recusa ao chamado é feita de um modo que descontroi o ideal de romantismo. A perversão também mora no par ideal de Diana (Lizzy Kaplan) e no espírito de natal/traficante Mr. Green (Michael Shannon) – cujo fim de arco faz lembrar muito o clássico recente Dogma – uma vez que eles também qualquer retidão de caráter o arquétipo de bom mocismo em suas atitudes.

Os últimos momentos do longa se dedicam a uma reflexão sobre o sentido da vida, como é praxe em episódios natalinos, ainda que guarde sua essência de desconstrução da tríade de tradição família e propriedade. Sexo, Drogas e Jingle Bells é um filme pequeno, mas que se torna bem engraçado na segunda metade e que surpreende pelo fato de não ter sido lançado nos cinemas brasileiros, uma vez que é melhor que a maioria das comedias estrangeiras que ocuparam as salas de exibição no final do ano de 2015.