Crítica | Verão de 84

Passada em Ipswich, uma cidade do Oregon nos anos 1980, Verão de 84 começa com um menino, Davey (Graham Verchere), andando de bicicleta, narrando mentalmente sua rotina e seus dias, refletindo e discutindo a vida pacata e típica do subúrbio. Seu dia a dia é chato, monótono, o máximo de animação que ele faz é ser voyeur de uma vizinha bonita que ele tem. Ele e seu grupo de amigos falam em tentar se emancipar, em tentar coisas novas, mas não tem muito ideia de onde ir ou do que fazer.

Esse quadro muda de maneira bem lenta, e só há realmente uma ruptura com a morosidade quando o personagem Rich Sommer aparece, o senhor Wayne Mackey. Vendo algo suspeito no comportamento dele, que é um delegado de policia, eles passam a vigiar o homem, achando que ele pode  ser um assassino em série, embora os elementos para essa constatação  sejam praticamente nulos.

O principal diferencial do filme de Anouk Whissell, François Simard e Yoann-Karl Whissell é o apelo a nostalgia, se valendo de elementos da moda como historias protagonizados por crianças, como foi com o recente IT e Stranger Things – esse aspecto está tão em voga que até o mais recente Brinquedo Assassino também lança mão disso – mas o que se vê também são mais elementos das historias de Stephen King, como o mistério na cidade pequena, e uma amizade bem intensa entre meninos, embora todo o restante das referencias seja mais ligada a estética trash e slasher, em especial na exploração da  sexualidade, embora até essa seja bem suavizada, assim como o apelo ao gore.

O filme é bem comedido, promete uma aura de mistério que se desenrola muito vagarosamente. De positivo, há a construção da paranoia de Davey, que piora depois que os adultos intervém. Sua postura acaba se mostrando uma atitude mais madura e correta que a dos seus pais e dos pais de seus amigos, na questão que é sem dúvida o ponto mais positivo dos 105 minutos de exibição.

Toda a carga dramática é deixada para o final, em uma perseguição agressiva, impiedosa e pessimista, do vilão sobre os heróis. As atuações melhoram muito perto do desfecho, em especial os citados Verchere e Sommers, o diálogo que eles tem beira a tortura psicológica  e revela o pior que o ser humano carrega. Apesar de irregular, Verão de 84 é um bom filme barato, apresenta boas idéias e uma abordagem despretensiosa e comedida.

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