Crítica | Virgens Acorrentadas

Filme B de terror  comandado pelo brasileiro Paulo Biscaia Filho, Virgens Acorrentadas – ou Virgins Cheerleader in Chains – é um longa falado em inglês que começa mostrando os bastidores de filmagem de uma produção cinematográfica de baixo orçamento, em um exercício claro de metalinguagem. O roteiro de Gary McClain Gannaway mostra  um sujeito que trabalha com áudio visual reunindo uma equipe de filmagem, mas sem sequer um roteiro pronto.

O grupo de atores do filme é formado por desconhecidos, pessoas com pouco ou nenhum traquejo dramático, e ele mistura um clima onírico com paranoia, mostrando as viagens mentais dos personagens de um modo violento e engraçado, referenciando claramente os clichês dos slasher movies. Em alguns pontos se percebe que a ideia de Biscaia é genuinamente homenagear os filmes de assassinos que cobriam as fileiras das locadoras nos anos 90.

A ideia de soar metalinguístico e se comparar com o cinema de Quentin Tarantino cai maravilhosamente como uma critica a ambição de alguns cineastas, pois debocha de boa parte das pessoas mais novas que fazem cinema e que acham que podem alcançar o status de uma estrela de Hollywood só escrevendo meia dúzia de clichês, envernizados por uma capa de modernidade.

Há um bocado de influências das fitas grindhouses, inclusive do produto que Robert Rodriguez e Tarantino fizeram, aliás seus detalhes dramáticos lembram muito o trailer fake Don’t, de Eli Roth, que estava presente na versão de cinema de Grindhouse.

Ao se aproximar do final, Virgens Acorrentados se torna cada vez mais violento, e apela obviamente para muitos bordões típicos desses filmes de terror. Desde O Massacre da Serra Elétrica e A Casa dos Mil Corpos a Os Intocáveis são referenciados, seja em cenas ou em falas literais, e esse conjunto de reverências não é simplesmente gratuito, corroboram boa parte da trama, ainda que não sejam tão essenciais assim. O final é um pouco previsível, mas bem encaixado dentro da lógica pregada desde o começo da historia, fato que faz desse um produto engraçado quando quer e honesto demais no deboche a classe de pretensiosos cineastas inciantes.

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