Review | Metal Gear Solid V: Ground Zeroes

Metal Gear é uma franquia iniciada no final da década de 1980, porém ficou muito conhecida aqui no Ocidente após o lançamento do primeiro título Solid no saudoso Playstation 1, em 1998. Eu era apenas um moleque de 11 anos. Na época, aluguei Metal Gear Solid em uma extinta locadora da minha cidade, pois alguns amigos idolatravam esse jogo. Mas não gostei. A partir daí, ignorei completamente a franquia.

Ao longo dos anos, Metal Gear Solid ganhou novos títulos, mas eu permaneci completamente apático à franquia criada por Hideo Kojima. Pelo menos até o lançamento do trailer de Metal Gear V: The Phantom Pain na E3 2014. Além da maravilhosa música de Mike Oldfield (o compositor de Tubular Bells, a icônica música do filme O Exorcista), o vídeo em si conseguiu me vender o jogo de uma forma absurda.

Metal Gear V: The Phantom Pain ainda não foi lançado, mas os jogadores puderam ter um gostinho em Ground Zeroes, lançado para PS3, PS4, Xbox360, XOne e PC.

Muitos rotularam Ground Zeroes como um “demo de luxo”, tendo em vista o curtíssimo tempo da missão principal.  Por outro lado, se o jogador quiser explorar a fundo todo o cenário, entender com detalhes a história, coletar informações e usufruir das missões paralelas, o jogo ganha uma sobrevida interessante.

Em suma, Metal Gear Solid V: Ground Zeroes é uma introdução a Phantom Pain. A história se passa após os acontecimentos de Metal Gear Solid: Peace Walker e coloca Snake em uma base da marinha americana, localizada em Cuba, para resgatar dois prisioneiros. O ano é 1975.

Se a intenção de Kojima foi trazer novos jogadores à franquia, ele conseguiu. Como já dito, eu não joguei praticamente nada dos outros games e não conheço a história. Acontece que, após finalizar Ground Zeroes, fiquei muito interessado em conhecer os jogos anteriores e, claro, a vontade de jogar Phantom Pain aumentou drasticamente.

Ao iniciar a missão, Snake é deixado nos arredores da base e recebe a missão de resgatar Chico (um voluntário do exército privado de Snake) e Paz (uma agente dupla). A partir daí, o jogador tem total liberdade para executar a missão da forma que preferir. Nesse ponto, o jogo é brilhante. A observação atenta é essencial, e o maior objetivo é não ser visto. Snake pode andar abaixado, rastejar ou correr. Ele carrega o mínimo de equipamentos, adquirindo outros ao longo da missão na própria base. Há uma mescla entre ambientes abertos muito amplos e locações fechadas. É necessário explorar a base para descobrir a localização dos prisioneiros, bem como encontrar armas e fitas cassete com gravações de Chico. Com o auxílio do binóculo, é possível, além de facilitar a visão distante, ouvir a conversa dos inimigos e marcar suas localizações no mapa.

A sensação de se esgueirar pela base sem ser visto é muito legal, sendo possível imobilizar o inimigo para interrogá-lo, matá-lo ou simplesmente deixá-lo inconsciente. O jogador deve ter cuidado e paciência ao percorrer o cenário, evitando ao máximo cair na visão dos inimigos. O sistema de tiroteio é eficiente, possibilitando visão em primeira ou terceira pessoa, nada muito diferente do que já vimos em outros títulos. Mas o foco – e a graça – do jogo não é o tiroteio, mas sim o stealth.

A parte gráfica está linda. A missão principal ocorre numa chuvosa noite, e os efeitos de brilho e reflexo são fantásticos. A qualidade das texturas e modelos também está excelente, e diversos detalhes aumentam a beleza, como o vento no pano das tendas, na vegetação rasteira e nos cabelos de Snake. Nas missões durante o dia, podemos ver os cenários com mais detalhes, além dos efeitos de luz belíssimos. Tudo isso graças à Fox Engine, o motor gráfico desenvolvido pela Kojima Productions.

Ao longo da missão, Snake pode coletar fitas cassete com áudios variados, o que ajuda na compreensão dos fatos e no cumprimento da missão. É uma forma interessante de contar a história e dar informações, algo que a franquia Bioshock também fez muito bem. São dezenas de fitas com muito tempo de áudio, em geral muito interessante e bem-feito. Também há algum material extra que ajuda a explicar a história e situar o jogador.

Em se tratando de áudio, a parte sonora é muito boa. Dos efeitos sonoros às músicas, tudo é muito caprichado. Importante dizer que a voz de Snake foi mudada: a dublagem americana ficou a cargo do excelente Kiefer Sutherland (o eterno Jack Bauer de 24 Horas) ao invés de David Hayter (o dublador clássico). Inclusive, este foi um dos aspectos que me chamaram a atenção para os novos títulos de Metal Gear.

Infelizmente, todas as missões paralelas ocorrem no mesmo cenário da principal, o que pode diminuir o interesse do jogador em prolongar a jogatina. As missões paralelas são interessantes e acrescentam conteúdo à história, mas a falta de cenários novos torna a experiência um pouco enjoativa.

No mais, Ground Zeroes foi a porta de entrada para que eu me interessasse pela franquia (e confirmar se Phantom Pain rodará bem no meu PC). A maior crítica é a curta duração da missão principal e a falta de variedade dos cenários. Por um lado, o lançamento de Ground Zeroes foi uma jogada “mercenária”, mas por outro foi um meio de o jogador testar o game e saber se terá interesse no Phantom Pain. E eu, um jogador que nunca se interessou pela série, estou muito surpreendido. Fica aqui a recomendação para quem ignorou Metal Gear até o momento, pois tudo indica que The Phantom Pain será um dos melhores jogos de 2015.

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