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Resenha | A Ascensão de Thanos

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A Ascensão de Thanos

No último ano, a Panini Comics tem lançado uma série de encadernados estrelados por grandes vilões da Marvel. Informalmente, as edições se tornaram conhecidas como parte da coleção de vilões, por apresentar releituras e origens de personagens vilanescos como Mercenário (em Mercenário - Anatomia de um Assassino), Loki, Magneto, entre outros canônicos. Tais edições foram lançadas no exterior como séries limitadas e, no Brasil, lançado em capa dura com preços econômicos devido às impressões no exterior. Um atrativo para quem deseja uma narrativa que resume a trajetória de personagens, além de uma bonita edição gráfica.

Roteirizar uma história sobre acontecimentos prévios é um desafio que necessita de criatividade para costurar acontecimentos sem parecer apenas um resumo intencional voltado para vendas. Tais tramas podem ser eficientes para o leitor novato, porém raramente trazem algo novo para um leitor antigo. Situado no contexto da Nova Marvel, A Ascenção de Thanos não estabelece nenhuma referência de antes ou depois deste ponto de partida do estúdio. A escolha de publicar esta série explicitando o novo momento do estúdio tem justificativa devido a saga Infinito, na qual o vilão foi um papel principal. Dividido em seis edições, o roteiro de Simone Bianchi é a típica história que busca recontar em outra roupagem a origem do personagem.

No país Titãs, Thanos é um jovem nascido com deformidade, diferente de todas as crianças do local. Desde cedo é deslocado por seus colegas, e sua inteligência extraordinária o faz refletir a respeito da composição da sociedade e da natureza, cujo isolamento obrigatório seria a motivação para começar sua vilania. Em um local considerado perfeito e sem nenhuma morte, um assassino marca o sinal de transformação do ambiente.

O roteiro se apoia em um histórico psicológico para nutrir o lado violento de Thanos, cujas justificativas vão desde o isolamento e preconceito por parte de seus colegas até um amor não correspondido que o faz tentar conquistar a garota a todo custo. Destruidor por natureza, Thanos corrompe a harmonia de Titãs e parte como um pirata para conquistar novos mundos. Ao seu lado, a figura da própria morte estabelece uma relação de amor com ele, como se o vilão fosse um de seus representantes. Mesmo sendo um personagem existente na mitologia do titã, a vertente psicológica faz de Thanos um louco que alucina e dialoga com a morte. Uma outra justificativa desnecessária para sua maldade.

A intenção realista de muitos quadrinhos da Marvel sempre se apoiou em explicações e argumentos para a ação de seus personagens. Muitos vilões surgiram a partir de traumas, porém, Thanos é um personagem plano que se destaca pelo prazer em matar sem nenhuma explicação visível, sem refreio ou uma origem psicológica.

Mesmo que a história crie uma linearidade para a origem do vilão, retomando sua infância até a fase adulta, retirar seus contornos maus corrompe a essência da personagem criada por Jim Starlin, principalmente porque grande parte de seu impacto se deve a ações de difícil compreensão, movidas apenas por egoísmo e prazer intrínseco em fazer o que deseja por poder e vontade.

Um dos grandes vilões da Marvel, sempre presente nas trama dos Vingadores, perde o impacto desnecessariamente em uma trama que, mesmo desenvolvida de maneira correta, nunca emplaca propriamente. A edição em capa dura pode ser atraente pelo acabamento, porém o conteúdo não é satisfatório.

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Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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