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Review | Barry – 2ª Temporada

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A segunda temporada de Barry começa com um título de capítulo ótimo, The show must go on probably, não só pela referência teatral básica que o show deve continuar, como também dá vazão ao season finale da temporada anterior. Bill Hader continuar desempenhando o homem em conflito, e todos os roteiros que ele e seu parceiro Alec Berg produzem são baseados nisso.

Uma das tramas secundárias da primeira temporada se desenvolve ainda mais, a antiga rivalidade entre os bolivianos e os chechenos se finda, e seus líderes, Cristobal (Michael Irby) e NoHo (Anthony Carrigan) se tornam parceiros. O roteiro antecipa que começará a utilizar experiências dele como exercícios de “improviso”, e isso é só uma das demonstrações do quanto esse ano será muito mais nonsense que o anterior. Hader consegue brilhar muito nas piadas físicas, e isso casa bem com sua faceta mais calada e atrapalhada.

Ao mesmo tempo que Barry tem um estalo de que na sua preparação para papéis se identifica como um assassino frio, há também a percepção de que as travas que a maioria dos intérpretes têm, inexistem nele, pois a maioria das fortes emoções buscadas na hora de montar um personagem ele já viveu de maneira literal. A escolha por substituir as ilusões de uma vida adocicada pelas lembranças que o fizeram aderir a função de matador de aluguel são ótimas, ajudam a ressignificar o personagem e o aproximam ainda mais da história em quadrinhos, Justiceiro: Nascido Para Matar, de Garth Ennis , além de fazer com que ele pareça o anti-herói de De Volta ao Jogo, como um John Wick menos sério e com mais problemas existenciais.

Carrigan e Root estão hilários e exploram um tipo de humor baseado no desespero e falta de opção de vida, cada um a seu modo, e acabam compensando de certa forma o modo anestesiado que Barry tem sofrido. Hader por sua vez adere mais camadas ao personagem que criou com Berg, e o fato de dirigir menos episódios o ajuda nessa composição. Uma das questões mais bem trabalhadas aqui é a ojeriza que Barry desenvolve por matar, e o modo como até isso é subvertido beira o sensacionalismo, mas também muito bem encaixado. O desfecho é violento e repleto de um espírito vingativo inexorável, onde seus antigos aliados se mostram capazes de ceder à sua vaidade, onde o anti-herói encontra seu velho eu e vê que sua nova vida dificilmente seguirá a mesma.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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