Cinema

[Crítica] Uma Noite de Crime: Anarquia

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A primeira semana de exibição de Uma Noite de Crime gerou uma bilheteria suficiente para pagar dez vezes o orçamento da produção. Uma sequência foi programada para este ano, com o diretor James Demonaco retornando ao universo distópico situado em um futuro de uma sociedade americana sem violência e composta por uma lei que, durante uma noite, autoriza assassinatos e crimes em geral como maneira terapêutica de expurgar o estresse anual.

Se a história anterior enfocava a casa de uma família rica e um grupo que tentava invadi-la, Uma Noite de Crime: Anarquia se passa inteiramente nas ruas, local em que o expurgo acontece sem nenhuma censura. A trama apresenta personagens, em situações distintas, formando o grupo que tenta sobreviver durante esta noite. Além destes representantes do povo, surge um grupo político contra o governo e que, através da internet, produz vídeos de protesto contra o dia anárquico, explicando por que este é um sistema feito para exterminar as classes mais baixas da sociedade, incapazes de se defenderem.

A tensão é melhor sustentada do que a produção anterior pela urgência de uma trama passada nas ruas, sem a proteção de um sistema de segurança caro, como na casa vista anteriormente. Entre as personagens da trama estão duas irmãs que acabaram de perder o pai – vendeu-se para um expurgo de ricos para garantir dinheiro para as filhas; um casal que tem o carro sabotado no trajeto para casa; e um homem que se prepara para uma vingança e, com aparatos e um veículo, ajuda as demais personagens a não perecerem nesta noite.

A ausência de nomes conhecidos no elenco demonstra a intenção de apresentar uma história sem nenhum personagem em destaque como foco evidente de atenção. O grupo segue o homem que prepara a vingança não por ser o centro do roteiro, mas pela necessidade de sobrevivência. E, assim, vão se movimentando contra grupos de extermínio. Além dos cidadãos que realizam o direito constitucional de matar por uma noite, há um grupo de mercenários pagos para caçar outros e vendê-los para ricos que desejam expurgar, mas não se sentem confortáveis para ir à caça.

Apresentando com melhor qualidade os ideários por trás deste futuro, a trama tem mais intensidade e apresenta um jogo político que a história anterior não mostrava. O conceito é rico e poderia ser desenvolvido em diversas tramas apresentando outras esferas de poder, embora a intenção de Demonaco seja, aparentemente, focar somente a ação e o suspense e a força imagética de um período em que a anarquia impera durante algumas horas.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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