[Crítica] Krampus: O Terror do Natal

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Como tantos outros gêneros dramáticos, o terror também se vale de datas festivas para montar seus motes e histórias. O filme de Michael Dougherty começa com uma corrida desenfreada para realizar as compras da época de festas, como mais um símbolo da selvageria desenfreada que ocorre na prática do consumismo e que se exacerba em todo o dezembro ocidental.

Krampus: O Terror do Natal brinca com uma questão central da época natalina, que é a fantasia das crianças em relação a união que deveria ser o norte nas festividades, mas que evidentemente não é, ao menos não para os personagens da família de Max Engel (Emjay Anthony), e o único que parece incomodado com isso é exatamente ele, o filho caçula daquele núcleo familiar.

Após uma briga em plena ceia, o menino perde a pouca fé que tinha na data e a partir dali começam eventos estranhos, envolvendo uma criatura monstruosa que tem capacidades físicas exacerbadas e que começa a pular em cima das casas. Esse ser de feições demoníacas e pés de bode seria o equivalente a figura mitologia de Krampus, o anti-São Nicolau, que funciona como a contra parte maligna do bom velhinho, a sombra do Papai Noel. Pouco depois da primeira meia-hora de filme há um crescimento do suspense e horror, driblando os momentos de comédia que até então imperavam, sendo então um bom episódio de perseguição, ainda que tenha em seu elenco com Adam Scott e David Koechner, fazendo dois pais de família e Conchatta Ferrell também, que são atores mais acostumados a toadas de humor, indiscutivelmente.

A parte em que se explica em flashback a origem do mal que assola aquela família faz lembrar os bons momentos da filmografia de Tim Burton, como em Frankenweenie, valorizando sentimentos dos mais básicos em uma trecho curto e essencial, que faz uso da de stop motion para relembrar histórias clássicas. Esse é somente um de outros tantos momentos bons do filme.

Uma das fontes de medo do longa, são os os mini biscoitos humanos possuídos, que tem uma participação crescente, em especial no final onde eles ficam especialmente agressivos. As sequências variam entre piadas bastante escrachadas e um intenso gore, além de um caráter que varia entre o trash de Uma Noite Alucinante 3 e Criaturas, jogando também com a seriedade que se assemelhar a bons filmes de terror psicológico, lembrando Jessabelle e O Babadoock em alguns pontos. O desfecho remete as fitas antigas que passavam nas sessões vespertinas, onde sempre havia uma reflexão nos momentos finais, independente da abordagem anterior e até nisso Krampus- O Terror do Natal é fiel as suas referências, soando mesmo como um produto oitentista em pleno século XXI.