[Crítica] Sully: O Herói do Rio Hudson

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Após um filme de qualidade bastante discutível – Sniper Americano – o veterano Clint Eastwood volta a direção de outra cinebiografia de um americano famoso, dessa vez uma figura muito mais popular e de moral indiscutível, que é o piloto de aviões Chesley “Sully” Sullenberger, o mesmo que conseguiu pousar um avião após uma pane geral causado pela entrada de aves nas turbinas e que salvou a todos os passageiros. Sully: O Herói do Rio Hudson trata de toda a paranoia do personagem título, ao ser investigado pela corregedoria e pela empresa que pagaria o seguro a companhia de aviação.

Como foi Gran Torino com o próprio Eastwood e em A Troca com Angelina Jolie, este é um longa dedicado a performance de Tom Hanks, que passou por um intenso trabalho de pesquisa para se parecer com o autor do livro homônimo (escrito pelo próprio Sulleberger e Zack Zaslow). A dedicação do ator ao papel é impressionante, em especial por no final aparecer um depoimento com o próprio falando, sendo extremamente parecido com o jeito de agir do ator vencedor do prêmio da Academia.

A câmera de Clint não julga mal seu protagonista. A moral do sujeito é ilibada e a sensação é a de se ver um Elliot Ness de Os Intocáveis, em uma versão mais pragmática, uma vez que o ofício de transporte não tem nada de justiceiro, como era com o fiscal da receita de Chicago. A questão mais complicada do roteiro de Todd Kormanick mora na pecha de herói, que é repetida a exaustão, uma vez que é assim que a opinião pública vê a pessoa de Sully, independente claro dos acusadores que querem culpar o sujeito a fim de não pagar as indenizações, estabelecendo portanto o nome do profissional na lama.

A insegurança do personagem em relação aos estudos que fazem sobre si e sobre seu voo tornam o sujeito em um exemplo maior de humanidade, uma vez que ele não é isento de privações e limites, e sim passível de errar como qualquer outro homem. Essa dúvida que o cerca é um fator básico para todo o drama do filme funcionar, soando austero e discreto, driblando qualquer possibilidade de cafonice e ufanismo, seguindo na mesma esteira de outra boa biografia, Loving, de Jeff Nichols.

Sully: O Herói do Rio Hudson não chega nem perto do brilhantismo da filmografia clássica de Eastwood, como havia sido em Os Imperdoáveis e Cartas de Iwo Jima, mas também não se exacerba em melodrama como Menina de Ouro faz. Seu drama é discreto, carrega em suspense o seu desenrolar e possui atuações de grandes coadjuvantes, como Aaron Eckhart, sendo uma ótima escada para Hanks, que tem com quem dialogar em seu desempenho dramatúrgico, mesmo que não passe perto do brilho do protagonista. As cenas de avião conseguem mostrar o quão certeira está a direção de Clint Easwtood, que fora uma ou outra repetição desnecessária de cena e conceito, consegue fazer um filme enxuto, rápido e sentimental na medida certa e sem recair em finais problemáticos e excessivamente melodramáticos.