Resenha | Guerra Infinita

Continuação direta do arco Desafio Infinito, Guerra Infinita foi publicada um ano depois do lançamento oficial da primeira saga, reunindo novamente Jim Starlin no roteiro e a arte magistral de Ron Lim. As primeiras imagens do especial dão conta de um espantalho utilizando a antiga armadura de Thanos, pois o titã está aposentado em uma fazenda, como visto na primeira parte da Trilogia do Infinito. A vontade de dominar retorna ao titã insano, tanto que ele volta a utilizar uma nova vestimenta de combate, bastante semelhante a antiga.

Enquanto isso, na Terra, os heróis enfrentam suas duplicatas malignas, ainda que essas tenham aspectos mais monstruosos. Depois que Adam Warlock tomou posso da Manopla do Infinito, e se dividiu um duas entidades, uma boa, e outra má, a parte malévola chamava-se Magus, e foi essa que retornou e tirou Thanos de seu descanso. Ao perceber que algo de ruim e muito grandioso está vindo, alianças surgem das mais diversas e inesperadas, com a de Kang e Doutor Destino e Thanos e Warlock, além é claro da óbvia, envolvendo os heróis da Terra.

Aqui também aparece a Guarda do Infinito, grupo que Warlock criou para monitorar a Manopla, formado por Drax, Gamora, Serpente da Lua, Thanos, Maxam e Pio, o Troll. Da parte dos terráqueos, a reunião convocada pelo Senhor Fantástico é quente, inclusive mostrando um atrito entre Wolverine e Homem de Ferro, com Stark chamando o outro de “mutuna”, em uma clara demonstração de preconceito. Isso tudo é seguido de uma briga generalizada, fruto da paranoia relativa à presença dos impostores doppelgangers. Nesse ponto, o trabalho de Lim é muito exigido, e as splashages ficam sensacionais, repletas de heróis brigando, ainda que o motivo seja estúpido.

Ainda que Desafio Infinito seja uma revista mais inteligente e madura, Guerra Infinita não segue estes padrões, mas compensa bem isso com combates muito bonitos, e brigas em quase todas as suas edições. O caráter aqui é muito mais a ação em detrimento de grandes diálogos ou um desenvolvimento de personagens. Ainda assim, Magus não é um vilão tão bem arquitetado quanto Thanos era — tanto em Desafio quanto na mini Thanos: Em Busca de Poder —, não à toa quando ele toma as rédeas da situação, a história toma um novo patamar, voltando aos holofotes um antagonista que realmente causa temor.

A questão envolvendo o Tribunal Vivo é bastante diferenciada. Esse é um grupo de entidades cósmicas que chegam a conclusões que fazem reger o multiverso Marvel, e esse grupo decide que a Manopla do Infinito junto com as Jóias não devem ser usadas por mais ninguém perdendo então seu poder quando estão reunidas, mas como é dito por Magus, decisões jurídicas podem ser revogadas, e apesar delas não serem retiradas por escolha dos julgadoras, a profecia se cumpre, e a manopla volta a ter poder, fato que faz paralelos infelizmente muito condizentes com a realidade tangível do mundo real, em um comentário metalinguístico provavelmente involuntário do roteiro.

Starlin utiliza alguns trechos da obra de Friedrich Nietzsche como base para discutir o abismo existencial dos seres vivos, e Magus usa esse conceito para humilhar Warlock, em um misto de disputa edipiana com seu criador e crise de identidade, porque de certa forma ele divide a mesma identidade de Adam, sendo um doppelganger também se olhada sua essência.

O desfecho é bastante explicativo, para não deixar nenhum leitor sem entender como o combate entre as duas partes de Warlock se findou. A Guarda Infinita então deve cuidar das jóias, para que a Manopla não seja mais utilizada por um ser somente, uma vez que, como foi com Magus, seu poder poderia corromper o coração de quem está em posse dela.

Se Desafio Infinito foi a demonstração máxima de que Thanos não consegue se ver vencendo e que (inconscientemente) se auto-sabota, em Guerra Infinita o titã prova uma evolução de quadro e condição, passando a ser até um pouco altruísta diante da nova condição universal, mesmo que isso só ocorra por sua sede de poder, que não ficou muito tempo adormecida, e pela necessidade de gastar adrenalina em batalha. Tais coisas não poderiam ser saciadas caso o universo tivesse um fim, como queria o outro vilão, daí seu sacrifício altruísta faz sentido, assim como a sua leitura do destino que em breve chegará ao cosmo. A sensação final da Saga é de que ainda haverá algo maior a se combater no futuro, no caso, o fechamento da Trilogia do Infinito, chamada Cruzada Infinita.

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