Crítica | Torquato Neto: Todas as Horas do Fim

Narrado pelo ator Jesuíta Barbosa, Torquato Neto: Todas as Horas do Fim é mais um belo exemplar da recente onda de documentários biografias de personalidades intelectuais brasileiras, tal qual Henfil, Silêncio no Estúdio e A Vida Extra-Ordinária de Tarso de Castro, que ajudam a remontar o passado do pensamento e poesia nacional. O modo como se conta a historia do poeta piauiense imita um pouco o seu estilo de escrita, variando entre cenas de arquivo do próprio e cenas experimentais, de escorpiões passando por paisagens ermas, basicamente para referenciar seus textos.

Os diretores Marcus Fernando e Eduardo Ades (Crônica da Demolição) unem a bela atuação de Jesuíta a imagens do cinema popular brasileiro, usando Macunaíma e outros filmes contemporâneos com base para ocupar as lacunas que não são ocupadas pelas fotos e outros registros de Torquato. Já no início se percebe um caráter extremamente emocional do longa.

O retrato pintado no filme é bastante detalhado, em especial pelos relatos de seus amigos artistas do nordeste, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros, entre eles, políticos como Moreira Franco. Ali, se desenha sua importância como pioneiro do movimento tropicalista e como influencia junto aos baianos e outros companheiros, mas também é estabelecida ali o sentimento melancólico que algumas vezes imperava sobre seu comportamento, e que seria um colaborador influente demais para seu fim prematuro.

A trilha sonora ajuda muito a ambientar o espectador na historia de Torquato. Todo o ideal dele, tropicalista ou não é muito bem pontuado pelas músicas escolhidas. Ao fim do documentário, se tem a sensação de perda da vida breve que o personagem principal tinha, e essa emulação de sentimento não é tão comum em meio aos filmes documentais, fazendo desse Torquato Neto: Todas as Horas do Fim uma pequena pérola em meio ao circuito documental.

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